Tenda anima analistas com resultados trimestrais e ações disparam; Cury também sobe

Ainda no setor de construção e incorporação, a Viver anunciou aumento de capital de até R$ 2,3 bi via subscrição privada de ações

O setor de construção e incorporação sofreu em 2022, em especial as empresas voltadas para públicos de renda menor por conta do achatamento da renda e da paralização dos programas habitacionais.

Porém, as análises de bancos e casas especializadas apontam para um 2023 alvissareiro para o setor, ao menos, mais promissor que o visto nos anos anteriores. O ânimo foi estimulado já com os resultados prévios do quarto trimestre, como no caso da Cyrela, que foi destaque.

Mas Tenda (TEND3) e Cury (CURY3) também não decepcionaram, o que se refletiu no valor das ações nesta quarta-feira (18). Por volta das 14h40, as ações da Tenda disparavam 11,56%, enquanto os papéis da Cury subiam 1,55%.

Confira a análise sobre as construtoras e incorporadoras e as projeções para o valor de suas ações.

XP: Tenda traz resultados positivos, dentro do esperado

Os resultados da Tenda no quarto trimestre foram positivos e dentro do esperado, em linha com a estratégia da companhia em focar na rentabilidade e redução de lançamentos, diz a XP.

Um relatório do banco apontou que os lançamentos atingiram R$ 704 milhões, superando estimativas em 32%. As vendas alcançaram R$ 657 milhões, também indo além do esperado em 22%.

“O preço médio por unidade vendida da Tenda atingiu R$ 189,8 mil no trimestre, o que vemos como uma indicação positiva da melhoria da estratégia de preços da empresa”, afirma o texto.

A velocidade de vendas também subiu, chegando a 25,9%, o que a corretora vê como positivo dado a desaceleração gradual nos lançamentos. O analista ainda vê riscos de execução no processo de recuperação da rentabilidade da Tenda.

A XP tem recomendação neutra para Tenda, com preço-alvo em R$ 11, potencial de alta de 149,4% sobre o fechamento de ontem.

Cury supera estimativa de vendas

A concorrente Cury também teve bom desempenho, segundo análise da XP. A empresa se destacou em vendas no quarto trimestre, superando as estimativas, mesmo com a estratégia de reduzir lançamentos nos três meses finais de 2022.

As vendas de R$ 720 milhões superaram estimativas em 40%, diz o banco, impulsionando também a velocidade de vendas, a 41%, e preço médio por unidade, a R$ 245,4 mil, abrindo espaço para a empresa manter forte rentabilidade.

Os lançamentos caíram 22,75 em um ano, a R$ 556 milhões, resultado da estratégia da Cury em acelerar lançamentos nos nove primeiros meses do ano, para evitar incertezas de demanda no trimestre final do ano.

“Destacamos a geração de caixa recorde da Cury de R$ 136 milhões, impulsionada principalmente por um maior percentual de conclusão nas unidades repassadas no trimestre, auxiliando na entrada de caixa”, diz o relatório.

A XP tem recomendação de compra para Cury, com preço-alvo em R$ 17, potencial de alta de 38,3% sobre o fechamento de ontem.

Bradesco: Tenda avança em recuperação de margens

A Tenda teve números positivos no quarto trimestre, dentro da estratégia da companhia de impulsionar margens e priorizar a geração de caixa, diz o Bradesco BBI.

Os analistas do Bradesco escrevem “o processo de recuperação das margens vai demorar mais um pouco para aparecer no lucro por ação e a restrição de caixa deve permanecer, mas achamos positivo o cuidado da direção na estratégia da empresa”, comentam.

O Bradesco BBI tem recomendação neutra para Tenda, com preço-alvo em R$ 8.

BTG: Cury teve sucesso na estratégia de giro de ativos

Na visão do BTG Pactual, a Cury apresentou resultados operacionais muito fortes no quarto trimestre, com vendas líquidas robustas, comprovando o sucesso da estratégia de giro de ativos da companhia.

Para o banco, as incorporadoras de baixa renda, como a Cury, devem manter seu sólido ímpeto operacional após várias revisões no programa Casa Verde Amarela em 2022.

As vendas brutas da Cury chegaram a R$ 836 milhões, uma alta anual de 24%, e os cancelamentos foram de R$ 82 milhões, garantindo vendas líquidas de R$ 753 milhões, o que representa um avanço de 23% no ano.

Como resultado, a velocidade de vendas foi de impressionantes 40% no quarto trimestre, ante 38% no mesmo intervalo de 2021.

A Cury construiu 2.250 unidades, 23% a mais do que no mesmo período do ano anterior, e transferiu 2.737 para bancos por R$ 662 milhões, alta anual de 41%. Isso, segundo o BTG, impulsionou uma forte geração de fluxo de caixa de R$ 136 milhões no quarto trimestre, 47% a mais que em 2021, o que na visão do banco é um bom exemplo da superioridade da estratégia da empresa de ter um alto giro de ativos.

A Cury é a principal escolha do BTG para o setor, com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 17.

Viver anuncia aumento de capital

A incorporadora Viver (VIVR3) anunciou nesta quarta-feira que seu conselho de administração aprovou processo de aumento de capital de até R$ 2,3 bilhões, via subscrição privada de ações.

O valor mínimo da operação será de R$ 99 mil, mediante emissão de 5 mil ações, e pode chegar a até R$ 2,3 bilhões, com emissão de até 116,2 milhões de ações, ao preço de R$ 19,80 por papel.

Segundo a Viver, a operação vai acontecer para o pagamento aos credores, conforme disposto em seu plano de recuperação judicial homologado em novembro do ano passado, além de reforçar estrutura de capital e balanço.

Acionistas na base da companhia até a próxima segunda-feira (23) poderão participar do processo de aumento de capital. O prazo para subscrição começa na terça-feira (24) e vai até o dia 22 de fevereiro.

A empresa afirma que o percentual de diluição para acionistas que não participarem do processo de aumento de capital pode ir de 0,002%, caso o valor mínimo da operação seja alcançado, até 34,19%, no máximo.

Por volta das 14h40, as ações da empresa caíam 2% na Bolsa, cotadas a R$ 0,49.