BB: Ações do Magalu (MGLU3) não devem ir além dos R$ 3,50; saiba os motivos

O banco cortou a recomendação de compra para neutra das ações do Magazine Luiza e de outras varejistas; entenda

O BB Investimentos cortou a recomendação para ações do Magazine Luiz (MGLU3) de compra para neutra e o preço-alvo de R$ 5,60 para R$ 3,50, potencial de alta de 34,6% sobre o fechamento de ontem, ao revisar suas estimativas do setor de varejo para o próximo ano.

O banco também cortou o preço-alvo de Via de R$ 4,70 para R$ 3,30, potencial de alta de 63,3%, reiterando recomendação neutra, e o de Americanas de R$ 23,70 para R$ 8,10, potencial de alta de 1,50%, reiterando recomendação de venda.

A analista Georgia Jorge escreve que o aumento das incertezas fiscais no Brasil, com a possível permanência das taxas de juros em patamares elevados por mais tempo, prejudicam as companhias do setor. Ela aponta que as perspectivas eram positivas.

“Do lado das vendas, a taxa de juros em patamar elevado reduz o ímpeto de compra dos consumidores à medida que eleva os juros cobrados em empréstimos e em compras parceladas”, comenta.

Em termos de rentabilidade há elevação das estimativas relacionadas às despesas financeiras, o que implica na redução de lucro líquido, já impactado pela menor perspectiva de alavancagem operacional por conta das vendas em ritmo mais lento.

Neste contexto, o banco prefere Magazine Luiza, que vem se mostrando mais resiliente diante do cenário macroeconômico, com melhor execução do seu plano estratégico. Já Via e Americanas exigem maior cautela por conta de questões de caixa e equilíbrio de vendas.

Itaú BBA vê preço-alvo em R$ 3,20

O Itaú BBA retomou sua cobertura de Magazine Luiza com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 3,2, potencial de alta de 25% ante o valor negociado na B3, na medida em que incertezas macroeconômicas ainda criam um cenário de demanda desafiador, mas a empresa está bem posicionada para aproveitar um ambiente competitivo confortável.

Os analistas Thiago Macruz, Maria Clara Infantozzi e Gabriela Moraes escrevem que a Magazine Luiza deve ganhar participação nos segmentos presenciais e vendas próprias das categorias de bens duráveis.

“O desempenho da empresa nesses canais de venda será o foco dos investidores no curto prazo, uma vez que esses canais devem ser os principais impulsionadores da recuperação da rentabilidade e geração de caixa.” Já o segmento de vendas de produtos de terceiros deve desempenhar um papel secundário no desempenho operacional da Magazine Luiza, por enquanto, dizem.

Eles ressaltam também que os desafios macroeconômicos contínuos criaram um cenário desafiador para bens duráveis, que deve persistir em 2023. Segundo eles, o crescimento mais lento do que o esperado no canal de vendas digital em 2022 levou a outra revisão para baixo nas estimativas, e eles agora preveem que o tamanho do mercado de comércio eletrônico atinja R$ 238 bilhões em 2022 e R$ 273 bilhões em 2023.

“A Magazine Luiza está bem posicionada na corrida de consolidação do comércio eletrônico brasileiro, e projetamos um leve ganho de participação de mercado para 18% para a empresa em 2023.”