Hapvida (HAPV3) dispara e lidera ganhos na bolsa com resultados vistos como positivos por analistas

Citi diz que operadora de saúde apresenta tendências positivas e bom desempenho de margens

Mesmo com a Hapvida anunciando aumento de 25% no prejuízo, para R$ 341 milhões, no primeiro trimestre, analistas do mercado financeiro veem resultados positivos para a empresa com relação às expectativas anteriores.

Com isso, as ações disparavam por volta das 14h30 desta terça-feira (16), com os papéis subindo 9,52%, liderando os ganhos na bolsa entre empresas que movimentam milhões de reais ou mais do que isso. As ações estavam cotadas a R$ 3,45 no horário mencionado.

Santander: preços devem acelerar melhora da sinistralidade

Os resultados da Hapvida no primeiro trimestre mostram uma lucratividade que pode ser sustentada em níveis mais altos a médio e a longo prazo, avalia o Santander. Para o banco, os preços médios são o caminho mais rápido para uma melhora na sinistralidade de caixa e, neste trimestre, os preços médios aumentaram 8,3% em base anual, dentro do esperado.

“Além disso, a empresa continua empenhada em aumentar a verticalização e inaugurou quatro novas unidades, sendo duas clínicas (GO e RJ), um pronto-socorro (SP) e uma unidade diagnóstica”, apontam os analistas Caio Moscardini, Guilherme Gripp e Karoline Silva Correia.

Como resultado, o índice de sinistralidade melhorou para 72,3%, enquanto a alavancagem (dívida líquida sobre o Ebitda) caiu para 2,3 vezes, contra 2,45 vezes em 2022.

A receita líquida de R$ 6,7 bilhões ficou em linha com as estimativas do Santander. Já a base de adesão de saúde diminuiu, impulsionada pelo cancelamento de adesão líquida orgânica, que foi quase compensada pela consolidação da HB Saúde.

Do lado positivo, o banco diz que a Hapvida registrou um aumento na média de ingressos. No segmento de planos odontológicos, a empresa registrou uma adição líquida de 50 mil participantes, que foi parcialmente compensada por uma redução de 2% no tíquete médio.

No total, a empresa entregou receita líquida de R$ 6,7 bilhões, em linha com o estimado pelo banco, enquanto a margem Ebitda ajustada foi de 9,4%. Para o banco, o índice de sinistralidade caixa de 72,3% foi uma “surpresa positiva” e melhorou 270 pontos-base no resultado pro forma.

Ao todo, a dívida líquida aumentou para R$ 7,4 bilhões, impulsionada pelo pagamento líquido da HB Saúde de R$ 612 milhões. “É importante observar que, incluindo os movimentos recentes de aumento de capital, a dívida líquida cairia para R$ 5,2 bilhões”, comentam os analistas.

Recomendação e preço-alvo

O Santander tem recomendação de compra e preço-alvo de R$ 4,50 para as ações da Hapvida, o que representa uma valorização potencial de 30% sobre a cotação atual.

O BofA tem recomendação de compra, com preço-alvo em R$ 4.

O Credit Suisse tem recomendação neutra para Hapvida, com preço-alvo em R$ 4,40, potencial de alta de 39,6% sobre o fechamento de segunda, quando os papéis encerraram o pregão em R$ 3,15. Os papéis fecharam o pregão em alta.

O Citi tem recomendação de compra para Hapvida, com preço-alvo em R$ 4, potencial de alta de 27% sobre o último fechamento.  

Na segunda, quando a empresa anunciou a venda da operadora de serviços de emergência São Francisco, o Itaú BBA se manifestou com recomendação de compra com preço-alvo de R$ 4,50, potencial de alta de 35% naquele momento.

BofA: recuperação de confiança do mercado

Os resultados da Hapvida no primeiro trimestre foram robustos e servem como primeiro passo para a companhia recuperar a confiança do mercado em suas operações após resolver as questões de liquidez, diz o Bank of America (BofA).

Os analistas liderados por Fred Mendes escrevem que a companhia conseguiu reduzir sinistralidade, aumentou geração de caixa com melhor fluxo de recebíveis e aumentou tíquetes médios.

O banco destaca que a empresa fez o caminho certo ao reestruturar sua diretoria, reforçar capital e implementar mudanças operacionais que agora estão dando resultado.

Credit Suisse: Hapvida conseguiu interromper ciclos negativos

A Hapvida (HAPV3) conseguiu interromper ciclos negativos em geração de caixa operacional e de sinistralidade nos resultados do primeiro trimestre, trazendo alívio para seu balanço, diz o Credit Suisse.

Os analistas Mauricio Cepeda e Pedro Caravina escrevem que a empresa ainda não está fora de risco, com reajustes nos preços precisando aumentar de ritmo e a taxa de utilização precisa diminuir.

No entanto, o banco afirma que é positivo a empresa mostrar sinais que suas iniciativas de equilíbrio de performance estão dando algum resultado e agora a consistência nos próximos período será o essencial.

Citi aponta boas tendências

A Hapvida teve boas tendências operacionais no primeiro trimestre, com evolução no tíquete médio e redução na sinistralidade que compensou as receitas menores que o esperado no período, diz o Citi.

Os analistas Leandro Bastos e Renan Prata escrevem que a companhia também apresentou bom desempenho nas margens, com melhor diluição de custos de vendas e despesas gerais e administrativas.

O banco destaca que a visibilidade para os resultados futuros da companhia continuam baixas, mas os bons indicadores nos primeiros três meses, incluindo geração de caixa, devem sustentar as ações no curto prazo.

Intermédica já entrega ganhos de R$ 8 milhões por mês

A Hapvida já contabiliza sinergias mensais de R$ 8 milhões com a readequação de estruturas de vice-presidência com o Grupo Notredame Intermédica. A companhia faz teleconferência de resultados do primeiro trimestre.

O diretor-presidente da companhia, Jorge Pinheiro, aponta que o foco da Hapvida no último trimestre, além da integração das companhias adquiridas, foi o reajuste de preços e a revisão do portfólio.

Entre as iniciativas recentes estão uma oferta subsequente de ações e uma operação de “sale and leaseback” (venda de ativo próprio para contratação de aluguel), avaliados em cerca de R$ 2,3 bilhões.

“Estamos mais sólidos para período de juros altos e economia volátil”, afirmou Pinheiro.

Outro destaque do trimestre, na visão do executivo, foi a geração de caixa operacional de R$ 557 milhões, alcançando fluxo de caixa livre positivo de R$ 404 milhões.

A Hapvida registrou prejuízo de R$ 341,6 milhões no primeiro trimestre deste ano, alta de 25,4% em relação ao prejuízo do mesmo período do ano passado. Já a receita líquida cresceu 12,8% no comparativo trimestral, para R$ 6,73 bilhões.

Presidente: estamos privilegiando preço

A prioridade da Hapvida neste ano é recomposição de preço, com expectativa de que o tíquete médio de seus planos tenha aumento de 15%. “Podemos não ter crescimento forte neste ano porque estamos privilegiando preço”, disse Jorge Pinheiro, presidente da Hapvida, durante teleconferência de resultados para analistas e investidores.

A companhia está trabalhando para criar novos modelos de planos de saúde e aumentando a verticalização daqueles produtos que têm rede credenciada. Esse é caso dos planos de saúde da NotreDame Intermédica em praças como Minas Gerais, Joinville, Pará, Brasília, entre outras.

Diante da reestruturação que a companhia vem implementando, o investimento neste ano será menor, da ordem de R$ 400 milhões. Dentro desse orçamento, há ampliação de hospitais e abertura de novas unidades, além de compra de equipamentos de alto custo. A operadora tem atualmente, 2,5 mil leitos fechados por falta de clientes. São leitos de ativos adquiridos.