Hapvida (HAPV3) dispara na bolsa após anúncio de injeção de dinheiro, venda de ativos e possível oferta de ações

Aporte de R$ 1,6 bilhão dá maior estabilidade financeira em ano desafiador para o setor de saúde, dizem analistas

As ações da Hapvida (HAPV3) saltam na bolsa de valores nesta terça-feira (28) com as movimentações em torno da empresa, que envolvem aporte dos controladores, venda de imóveis e oferta de ações para aumentar liquidez.

Por volta das 13h45 desta terça-feira (28) as ações subiam 19,37%, cotadas a R$ 2,65.

Nos últimos 12 meses, a queda é de 78%, com a empresa despencando de um patamar de R$ 12 em março de 2022. Há uma semana, a empresa registrou altas robustas, alcançado mais de R$ 5, mas voltou a cair nos últimos dias.

Venda de imóveis e oferta de ações

A venda de imóveis e a intenção de lançar uma oferta de ações ajuda a reduzir os riscos em torno da liquidez da Hapvida e são operações bem-vindas para o mercado recuperar confiança na empresa, diz o Goldman Sachs.

Os analistas Gustavo Miele e Emerson Vieira escrevem que a venda de imóveis por R$ 1,25 bilhão e uma oferta de ações que pode chegar a R$ 877 milhões ajudaria a deixar a posição de caixa da Hapvida em R$ 3 bilhões.

“Adicionalmente, o fato da família controladora se comprometer a desembolsar R$ 1,6 bilhão (R$ 1,25 bilhão na compra dos imóveis e R$ 360 milhões na oferta) dá maior estabilidade financeira em um ano desafiador para o setor de saúde”, comentam.

Desempenho e projeção para as ações

O Goldman Sachs tem recomendação neutra para Hapvida, com preço-alvo em R$ 4, potencial de alta de 80,2% sobre o fechamento de segunda.

O Citi tem recomendação de compra para Hapvida, com preço-alvo em R$ 5, potencial de alta de 125,2% sobre o preço do último pregão.

Oferta de ações

O Goldman Sachs nota que a oferta de ações não causaria diluição na participação dos acionista minoritários e que ajude a aumentar o lucro por ação da Hapvida em 13% neste ano e 4% em 2024.

A alavancagem da Hapvida também ficaria menos pressionada com as operações, caindo de 2,1 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda para 1,3 vez em 2023 e de 1,4 vez para 0,7 vez em 2024.

Citi: injeção de recursos diminui pressões sobre liquidez

O anúncio feito pela Hapvida que a família controladora vai comprar imóveis da companhia por R$ 1,25 bilhão e injetar R$ 360 milhões em uma possível oferta de ações alivia as pressões de liquidez da empresa, diz o Citi.

Os analistas Leandro Bastos e Renan Prata escrevem que a companhia pode adicionar R$ 2,1 bilhões em capitalização total, considerando venda de ativos e a oferta de ações, reduzindo alavancagem de 2,5 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda para 1,7 vez.

“Em termos de liquidez, a companhia aumenta seu caixa livre de R$ 1,5 bilhão para R$ 3,6 bilhões, criando um colchão de R$ 2,2 bilhões sobre as dívidas que vencem em 2023”, comentam.

O banco acredita que o comprometimento da família Pinheiro na operação indica confiança na empresa. A única questão é entender porque preferiram comprar os imóveis ao invés de injetar dinheiro diretamente na companhia.

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