Ações do Twitter sobem 22% após Elon Musk retomar acordo para comprar empresa pelo preço original

Musk concordou em comprar o Twitter pelo preço acordado em abril, de US$ 54,20 por ação

Elon Musk voltou a propor a compra do Twitter por US$ 54,20 por ação nesta terça-feira, de acordo com um documento regulatório enviado a SEC, órgão regulador do mercado de capitais nos EUA. O arquivo da SEC diz que Musk enviou uma carta ao Twitter, na segunda-feira, notificando a empresa de sua intenção de prosseguir com a transação acordada em 25 de abril, dia em que o acordo foi anunciado publicamente.

As ações do Twitter fecharam em alta de mais de 22% com a notícia.

A decisão de Musk pode evitar que a aquisição seja decidida judicialmente, em um julgamento marcado para o dia 17, na Corte de Chancelaria de Delaware (EUA). A audiência será o capítulo final de um processo movido pelo Twitter, no início de julho, para que ele conclua a aquisição.

O principal argumento de Musk para ter desistido do negócio foi acusar o Twitter de ter mais contas falsas na plataforma do que o informado publicamente. Há um mês, o bilionário pediu que o julgamento de cinco dias sobre o processo fosse adiado para novembro.

No fim de agosto, o CEO da Tesla tentou dar outra cartada para se esquivar da compra do Twitter, incluindo no processo denúncias apresentadas pelo ex-chefe de cibersegurança da rede social, Peter Zatko, às autoridades americanas.

Zatko, que foi demitido do Twitter no início do ano, acusava a empresa de ter enganado usuários e agências reguladoras a respeito de suas defesas de segurança cibernética.

O executivo apresentou suas denúncias à Securities and Exchange Commission (SEC, a comissão de valores mobiliários dos EUA), ao Departamento de Justiça e à Comissão Federal de Comércio (FTC), bem como a membros do Congresso americano, em 6 de julho, dois dias antes de Musk anunciar que queria desistir de sua transação com o Twitter.

Vulnerabilidade de segurança

Em uma de suas alegações, Zatko disse que o Twitter violou obrigações firmadas em um acordo fechado em 2011 com a FTC para proteger os dados dos usuários e que a empresa não revelou aos investidores e à sua diretoria informações importantes sobre vulnerabilidades de segurança.

Mensagens de texto entre o cofundador do Twitter, Jack Dorsey, e Elon Musk, também foram divulgadas como parte do processo, mostrando que o ex-CEO do Twitter tentou colocar Musk no conselho da empresa, em março, antes que o diretor-presidente da Tesla adquirisse uma participação significativa na empresa e antes da proposta de aquisição, que quase se tornou uma oferta hostil, em abril deste ano.

A troca de mensagens também mostra Dorsey, amigo de Musk e apoiador da compra da empresa pelo bilionário, procurou facilitar o relacionamento com o atual diretor-presidente do Twitter, Parag Agrawal, um dia depois que a empresa aceitou a oferta de aquisição. À época, Elon Musk criticava abertamente o comando da rede social, sinalizando que faria mudanças na alta gestão assim que concluísse o negócio. Pelo teor das mensagens, Musk segue com a mesma intenção de mudança.

Governos preocupados

A retomada da proposta de compra do Twitter por Elon Musk resgata preocupações de governos e órgãos reguladores sobre o que a posição de Musk, em defesa de uma liberdade de expressão sem restrições, pode significar, na prática, em relação a valores fundamentais, ao permitir o tráfego de notícias falsas na rede social, bem como ideias capazes de minar a democracia e estimular racismo, misoginia e outras formas de preconceito.

Opinião da Casa Branca

No fim de abril, logo após o anúncio de que o conselho do Twitter havia aprovado a proposta original de Elon Musk de adquirir a empresa a US$ 54,20 por ação, em um negócio avaliado em US$ 44 bilhões, o presidente americano Joe Biden demonstrou preocupação com os rumos da plataforma.

“Não importa quem possui ou administra o Twitter, o presidente se preocupa muito com o poder das grandes plataformas de mídia social; com o poder que elas têm sobre nossas vidas cotidianas”, disse Jen Psaki, secretária de imprensa da Casa Branca, à época.

Já os republicanos haviam aplaudido o acordo, numa aposta de que a conta de Donald Trump seria readmitida no serviço. O ex-presidente foi banido depois de a direção do Twitter considerar que suas postagens na rede estimularam a invasão do Congresso americano por simpatizantes em 6 de janeiro do ano passado.

Outra proposta de Musk é fechar o capital do Twitter, que tem suas ações negociadas desde 2013 na bolsa de Nova York (Nyse). Em carta à SEC, em abril, o bilionário disse que o fechamento do capital era necessário para que pudesse realizar mudanças importantes na empresa.

Twitter em números

Fundada em 2006, em São Francisco, na Califórnia, a empresa avaliada em US$ 32,55 bilhões, registrou prejuízo líquido de US$ 270 milhões, no segundo trimestre, revertendo um lucro de US$ 65,6 milhões um ano antes. Em meio à disputa com Musk, as receitas da rede social somaram US$ 1,17 bilhão entre abril e junho, queda de 1,2% na comparação anual.