Vai empreender? Veja o que não fazer com as finanças

Misturar as contas, não ter um bom planejamento e ignorar a reserva de emergência são alguns dos principais erros

Vai empreender? Veja o que fazer e o que não fazer no começo da empresa
– Ilustração: Renata Miwa

Pontos-chave

  • Pesquisa do Sebrae e FGV aponta que as empresas endividadas foram as que mais sofreram com a pandemia
  • As falhas acontecem porque o empreendedor não leva em consideração a governança e a gestão financeira

As empresas endividadas foram as que mais sofreram com a pandemia. De acordo com a pesquisa “O impacto da Pandemia do Coronavírus nos Pequenos Negócios”, realizada pelo Sebrae em parceria com a FGV, 92% das empresas com dívidas em atraso tiveram perda de faturamento em 2020 comparado ao ano anterior, enquanto 73% das empresas com as contas em dia acabaram perdendo dinheiro.

As empresas endividadas também tiveram maior proporção com piora de faturamento. Entre esse grupo, 79% apresentaram um faturamento anual pior do que o de 2019. Já no universo das empresas sem dívidas, esse número cai para 59%. Ou seja, aqueles que se prepararam conseguiram passar com menos prejuízo por esse período de crise.

“Muitos vão para o empreendedorismo porque tem uma boa ideia, mas falham por não levar em consideração sua capacidade de governança, principalmente o conhecimento sobre gestão financeira. A maioria dos negócios acabam não dando certo porque a geração de caixa é insuficiente para manter a operação”, ressalta Carlos Castro, planejador financeiro CFP pela Planejar.

Se você está pensando em abrir um negócio ou está no começo da jornada, deve prestar atenção em alguns pontos. Afinal, empreender tem tantos – ou até mais – riscos do que investir em ativos do mercado financeiro. Separamos, então, cinco dicas do que não fazer nesse momento:

1. Misturar as finanças pessoais com as contas da empresa

Segundo Carlos, esse é um dos erros mais comuns cometidos pelos empreendedores. Além de trazer danos para as finanças, isso pode acarretar até mesmo em problemas com a Receita Federal. “Além das questões fiscais, esses empreendedores deixam de ter a visão do quanto a empresa está gerando de resultado”, explica o planejador financeiro.

2. Não definir um pró-labore

O pró-labore, que vem do latim e significa “pelo trabalho”, nada mais é do que uma remuneração que o sócio ou empresário ganha pelo trabalho na empresa. Aqueles que não definem uma remuneração fixa podem ter problemas com capital de giro e com a organização financeira do negócio.

3. Não ter um planejamento a longo prazo

Não basta apenas ter uma boa ideia. Muitos empreendedores acabam não fazendo um planejamento de médio e longo prazo, o que prejudica o negócio. “Você precisa entender quem são seus concorrentes, em que mercado quer atuar, qual o nicho, posicionamento da sua marca e qual preço vai praticar, desdobrando essa estratégia em um demonstrativo de resultados financeiros. Assim, consegue entender o custo da sua operação. Muitos não fazem esse planejamento e focam apenas no curto prazo”, ressalta Carlos.

4. Não acompanhar as operações e o desempenho da empresa

Tão importante quanto se planejar, é acompanhar os resultados e as operações da empresa. Esses dados funcionam como um “retrato” do negócio e te ajudam a tomar decisões, entender se o planejamento está sendo bem sucedido, se antecipar aos problemas e mudar de estratégia se for necessário. 

5. Não ter uma reserva de emergência

Aproveitar os períodos em que a empresa tem faturamentos acima da média e construir uma reserva de emergência é fundamental, principalmente para passar por períodos de crise. Muitos empreendedores não se preocupam com isso e acabam, no futuro, tendo que tirar dinheiro do próprio bolso para cobrir eventualidades e manter a empresa funcionando, correndo o risco de afundar o negócio.


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