Carro próprio ou por assinatura: sete perguntas essenciais antes de fazer a escolha

A IF ouviu um especialista em mobilidade e um planejador financeiro para ajudar você na tomada de decisão

BDRs da Tesla foram as mais negociadas em 2021 (Foto: Pixabay)

O carro popular já pode ser considerado um capítulo do passado no Brasil. Seja por uma legislação mais rigorosa ou um motorista mais exigente, o fato é que o preço do veículo – novo ou usado – está cada vez mais caro. Isso abre uma janela para serviços por assinatura, com a entrada inclusive das montadoras de olho em consumidores em busca de flexibilidade. A Inteligência Financeira ouviu o especialista em mobilidade Murilo Briganti, sócio da Bright Consulting, e o planejador financeiro Raphael Carneiro, da Petra Capital, e fez sete perguntas que podem te ajudar no processo de decisão. Confira a seguir:

O carro vendido no Brasil está caro?

“O carro novo no Brasil sempre subiu de preço cerca de 2-3% por ano. No entanto, nos últimos dois anos subiu 12% (2020) e 18% (2021). O ticket médio do automóvel no Brasil em 2018 era de R$ 85 mil e hoje esse valor ultrapassa R$ 110 mil”, conta Murilo Briganti.

O que explica o encarecimento?

“Houve uma mudança de portfólio das montadoras, com mais SUV’s. Em 2018 eram apenas um quarto do mercado e hoje correspondem a quase 40%. Também tivemos aumento do conteúdo tecnológico dos automóveis, impulsionado tanto por legislações mais severas quanto pelo consumidor mais moderno e exigente. Somaram a isso a valorização do dólar e a crise dos semicondutores”, destaca o especialista em mobilidade da Bright Consulting.

E o cenário para os carros seminovos?

“Como o carro zero está com dificuldades para ter nas concessionários e ainda tem um prazo de entrega muito longo, tem o efeito cascata. Como não tem carro novo, o preço do usado vai aumentando também. Fora que ainda temos o efeito na inflação no país, que tem tornado a manutenção cara”, observa Raphael Carneiro.

O que levar em consideração antes de comprar um carro?

“Primeiramente, pelo valor elevado no momento, é preciso avaliar de fato a necessidade. Você realmente precisa? Porque tem gente que precisa do carro para trabalhar, há casos de dificuldades para acessar o transporte público, que o carro facilita a vida. Isso precisa ser avaliado também. Pelo lado financeiro, tem que avaliar se vai comprar à vista, se vai financiar ou fazer um consórcio. Avaliar o valor total que vai ser pago pelo veículo”, recomenda o planejador financeiro da Petra Capital.

O momento favorece quem pensa em testar um serviço de carro por assinatura?

“É um oportunidade. É um segmento que vem crescendo ano após ano e cada vez mais as montadoras vem participando desse processo não só oferecendo os produtos para um ‘third partner’, mas também participando do jogo diretamente. Quanto mais oferta, maiores são as oportunidades pro consumidor. No entanto, ainda é algo novo em nosso mercado. Depois da questão da barreira do custo x beneficio, ainda existe a questão de cultural de ter a posse ou não”, diz Murilo Briganti.

O que ainda precisa acontecer para a modalidade ser mais atraente?

“Na verdade esse serviço precisa se tornar mais transparente para o consumidor com relação a taxas, franquias e obrigações. Ser mais atraente financeiramente e até mesmo surgirem oportunidades de compra ou relocação de outro automóvel de mesmo modelo com um certo desconto no final do período”, avalia o especialista em mobilidade da Bright Consulting.

O que mais a pessoa que pretende testar o carro por assinatura deve ter em conta?

“Precisa muito de disciplina e o ideal é ter uma reserva, como a que seria usada para dar entrada ou comprar o carro definitivamente. O valor da assinatura tem que ser menor que o valor do financiamento. Uma estratégia é investir essa diferença, inclusive o dinheiro que você gastaria com seguro, IPVA e manutenção, para que a escolha faça sentido no longo prazo. Porque o carro próprio você ainda tem a opção de vender se de repente precisar do dinheiro. Ao rentabilizar, você consegue compensar esse lado”, completa planejador financeiro Raphael Carneiro.


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