IGP-M tem alta de 1,82% em janeiro, informa FGV

Com peso de 60%, o índice de preços ao produtor subiu 2,30%; com 30%, o de preços ao consumidor avançou 0,42%

Inflação segue preocupando brasileiros (Foto: Pixabay)

A inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) ficou em 1,82% em janeiro, após variar 0,87% em dezembro e acumulando alta de 16,91% em 12 meses, informou a FGV (Fundação Getulio Vargas).

A alta ficou abaixo da mediana das estimativas de 26 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data, de 1,96%, com intervalo das projeções indo de 0,80% a 2,34%. Em janeiro do ano passado, o índice havia subido 2,58% e acumulava alta de 25,71% em 12 meses.

“A inflação ao produtor segue espalhada. Os preços dos bens de investimento subiram 2,07%, ante 0,78%, em dezembro de 2021. Já os preços de materiais e componentes para manufatura avançaram para 1,33%, depois de subirem 0,40% no mês passado. Por fim, o minério, embalado pela escalada do preço internacional, fechou janeiro com alta de 18,26% e respondeu por 52% do resultado do IPA”, afirma
André Braz, coordenador dos Índices de Preços, em comentário no relatório.

Com peso de 60%, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) subiu 2,30% em janeiro, após alta de 0,95% em dezembro. Na análise por estágios de processamento, a taxa do grupo Bens Finais variou 0,75% em janeiro. No mês anterior, a taxa do grupo havia sido de 0,53%. A principal contribuição para
este resultado partiu do subgrupo bens de investimento, cuja taxa passou de 0,78% para 2,07%, no mesmo período.

O índice relativo a Bens Finais “ex”, que exclui os subgrupos alimentos in natura e combustíveis para o consumo, variou 0,90% em janeiro, ante 0,70% no mês anterior.

A taxa do grupo Bens Intermediários passou de 1,02% em dezembro para 1,05% em janeiro. O principal responsável por este movimento foi o subgrupo materiais e componentes para a manufatura, cujo percentual passou de 0,40% para 1,33%.

O índice de Bens Intermediários “ex”, obtido após a exclusão do subgrupo combustíveis e lubrificantes para a produção, subiu 1,26% em janeiro, contra 0,74% em dezembro.

O setor das Matérias-Primas Brutas registrou alta de 4,95% em janeiro, ante 1,22% em dezembro. Contribuíram para o avanço da taxa do grupo os seguintes itens: minério de ferro (-0,52% para 18,26%), soja em grão (-1,03% para 4,05%) e milho em grão (-2,68% para 5,64%).

Em sentido oposto, destacam-se os itens bovinos (11,69% para 1,94%), café em grão (12,52% para 1,92%) e suínos (3,20% para -12,39%). Com peso de 30%, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) variou 0,42% em janeiro, ante 0,84% em dezembro. Quatro das oito classes de despesa componentes do índice registraram decréscimo em suas taxas de variação.

A principal contribuição partiu do grupo Transportes (1,26% para -0,17%). Nesta classe de despesa, vale citar o comportamento do item gasolina, cuja taxa passou de 2,24% em dezembro para -1,62% em janeiro.

Também apresentaram decréscimo em suas taxas de variação os grupos Habitação (1,09% para 0,33%), Educação, Leitura e Recreação (1,80% para 0,94%) e Saúde e Cuidados Pessoais (0,17% para 0,07%). Nessas classes de despesa, a FGV destaca os seguintes itens: tarifa de eletricidade residencial (3,11% para -0,69%), passagem aérea (11,52% para -6,63%) e plano e seguro de saúde (0,16% para -0,29%).

Em contrapartida, os grupos Alimentação (0,54% para 1,15%), Vestuário (0,61% para 1,17%), Comunicação (0,05% para 0,13%) e Despesas Diversas (0,13% para 0,14%) registraram acréscimo em suas taxas de variação.

Nessas classes de despesa, destacaram-se os seguintes itens: hortaliças e legumes (-3,07% para 4,44%), roupas (0,58% para 1,29%), combo de telefonia, internet e TV por assinatura (0,11% para 0,42%) e cigarros (0,20% para 0,98%).

Com os 10% restantes do IGP-M, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) variou 0,64% em janeiro, ante 0,30% em dezembro. Os três grupos componentes do INCC registraram as seguintes variações na passagem de dezembro para janeiro: Materiais e Equipamentos (0,48% para 1,05%), Serviços (0,57% para 1,28%) e Mão de Obra (0,10% para 0,14%).

Apesar de ser considerado o indicador do mês fechado, para o cálculo do IGP-M, são comparados os preços coletados do dia 21 do mês anterior ao dia 20 do atual (o de referência) com os do ciclo de 30 dias imediatamente anterior.


Você também pode gostar
Redação IF Publicado em 01.jul.2022 às 17h45
Juros futuros fecham em queda, em linha com taxas dos títulos públicos globais

Medo de recessão nos EUA pesou mais do que riscos fiscais no Brasil

Valor Econômico Publicado em 01.jul.2022 às 11h39
Análise: PEC dos Combustíveis dificulta o trabalho do Banco Central para baixar a inflação

O assunto novo levantado pelo Copom em junho é o risco de as medidas colocarem o pé no acelerador da economia, num momento em que a política monetária pisa no freio

Redação IF Atualizado em 01.jul.2022 às 08h39
Com PEC aprovada no Senado, pacote de medidas eleitoreiras de Bolsonaro já supera R$ 343 bilhões

Montante inclui ações que têm impacto nas contas do governo, como a ampliação do Auxílio Brasil, o vale para caminhoneiros e renúncias fiscais

Redação IF Atualizado em 30.jun.2022 às 10h53
Inflação com consumo nos EUA sobe 0,6% em maio; ativos domésticos são pressionados pelo cenário mais adverso no exterior

O Ibovespa tem forte queda enquanto o dólar opera em alta ante o real no início desta quinta-feira