Produção de óleo e gás fora a Petrobras supera pela 1ª vez a marca de 1 milhão de barris/dia

O volume representa 27% de toda a produção de óleo e gás do país

(Foto: Unsplash)

Pontos-chave

  • A produção de petróleo e gás natural das empresas fora a Petrobras ultrapassou em 2021, pela primeira vez na história

A produção de petróleo e gás natural das empresas fora a Petrobras ultrapassou em 2021, pela primeira vez na história, a média anual de 1 milhão de barris diários de óleo equivalente (BOE/dia) no Brasil. O volume representa 27% de toda a produção de óleo e gás do país.

Os números da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram um gradual aumento da diversificação do setor. Em 2020, a Petrobras respondia por 74% de todo o volume de óleo e gás produzido no Brasil, 1 ponto percentual a mais que o registrado no ano passado. Em 2017, essa parcela era de 77%.

Os dados dizem respeito à participação líquida da estatal na produção nacional, considerado apenas aqueles volumes aos quais a empresa tem direito nos campos, com base em sua fatia nos consórcios. A companhia opera a maior parte de seus projetos em parceria com sócios, sobretudo nos grandes ativos do pré-sal.

Não à toa, Shell, Petrogal e Repsol Sinopec, sócias da estatal no pré-sal, figuram entre as três maiores produtoras fora a Petrobras no Brasil hoje.

O crescimento da produção de terceiros, no Brasil, reflete, em parte, o programa de venda de ativos da estatal e, em parte, a entrada de novos grandes projetos do pré-sal.

Apesar da diversificação em curso, a Petrobras ainda é a grande operadora do Brasil, ou seja, é líder dos consórcios ou opera sozinha a maior parte dos principais ativos do mercado. Ao todo, segundo a ANP, os campos operados pela empresa respondem por 93% da produção nacional – o número, nesse caso, desconta os percentuais dos sócios.

Para 2022, a tendência é que a produção de terceiros mantenha a trajetória de crescimento, puxada, sobretudo, pelo início da vigência dos contratos do leilão dos excedentes da cessão onerosa de Sépia e Atapu, realizado em dezembro.

A Petrobras anunciou ao mercado este mês que reduziu a sua meta de produção para o ano em 70 mil BOE/dia, para refletir a entrada de novos sócios nesses dois campos, decorrentes da licitação. Além disso, está previsto para este ano o início das operações da plataforma do projeto Mero 1, que tem como sócios a Shell, TotalEnergies e as chinesas CNOOC e CNPC.

A produção de petróleo de terceiros tem como principal destino as exportações. A desconcentração da produção do gás natural, por sua vez, começa a dar seus primeiros efeitos no processo de abertura do mercado brasileiro.

Num marco para o processo de abertura do setor, Equinor, Galp, PetroReconcavo e Shell estreiam como fornecedores de gás em 2022. Cerca de 10% da demanda das distribuidoras de gás natural passará a ser abastecida, neste ano, por empresas privadas no país – o equivalente a 4 milhões de metros cúbicos diários, incluindo desde as estreantes até empresas menores como Alvopetro, ERG e Origem, que já tinham contratos ativos com a Bahiagás.


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