Mercado vê início das altas de juros nos EUA em março

Os grandes bancos também revisaram seus cenários e passaram a contemplar o início do ciclo de elevação de juros em 16 de março

Jerome Powell, presidente do Fed (Foto: Fed/Divulgação)

Pontos-chave

  • As apostas no mercado em uma elevação dos juros nos Estados Unidos já em março continuam majoritárias
Arte: Reprodução Valor Econômico

Não foram somente os preços dos ativos que se ajustaram à comunicação mais dura adotada pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) no combate à inflação. Enquanto as apostas no mercado em uma elevação dos juros nos Estados Unidos já em março continuam majoritárias, grandes bancos também revisaram seus cenários e passaram a contemplar o início do ciclo de elevação de juros em 16 de março.

Em entrevista concedida ao “Wall Street Journal”, o presidente da distrital de Richmond do Fed, Thomas Barkin, disse ser concebível um aumento de juros no primeiro trimestre deste ano, além de se mostrar favorável a uma postura mais agressiva do banco central na condução da política monetária.

“Se temos uma economia que continua com os níveis de desemprego com os quais vivemos agora, que obviamente são muito saudáveis, com as pressões de preços elevadas, acho que, em concordância com o mandato e enquadramento do Fed, é necessário caminhar em direção a uma normalização”, argumentou Barkin, que não tem direito a voto nas reuniões deste ano.

Goldman Sachs e Bank of America foram algumas das instituições que já projetavam em dezembro uma elevação da meta dos Fed funds em 0,25 ponto em março. No entanto, na esteira da divulgação da ata da decisão de dezembro do Fed e do relatório de empregos (“payroll”) também referente a dezembro, outras instituições passaram a adotar a reunião de março como o palco para o início das altas de juros. Foi o caso do Citi, que se mostrou surpreso com o desempenho do mercado de trabalho.

“A queda na taxa de desemprego é o último dado que precisamos para mudar nosso cenário-base para uma elevação nos juros em março (em vez de junho), com quatro altas em 2022 (em vez de três)”, diz a equipe do Citi, comandada por Andrew Hollenhorst. Os economistas dizem esperar, ainda, que a redução do balanço patrimonial do Fed comece em julho e, embora ainda acreditem que as compras de ativos terminarão em março, eles ressaltam que há riscos de que elas possam ser interrompidas por completo já na reunião de janeiro.

“O relatório de empregos de dezembro mostrou uma economia que atingiu a maioria das noções de pleno emprego e 3,9% é 0,1 ponto abaixo de onde os dirigentes do Fed veem a taxa de desemprego sustentável de longo prazo”, apontam os economistas do Citi. Para eles, é importante ressaltar ainda que o aumento da participação da força de trabalho não se repetiu em dezembro, sugerindo que a tendência de que profissionais não voltem à força de trabalho ainda está em vigor.

“É difícil evitar a conclusão de que o mercado de trabalho está muito apertado”, observa, em nota enviada a clientes, o economista-chefe para EUA do J.P. Morgan, Michael Feroli. “Acreditamos que os dirigentes do Fed estão chegando à mesma conclusão, e que pode ser difícil adiar a primeira alta de juros para junho, nossa projeção anterior. Agora vemos o início do processo em março, seguido por altas trimestrais nos juros depois disso.”

Feroli argumenta que o presidente do Fed, Jerome Powell, deixou claro que houve, no trimestre passado, sinais surpreendentes de aperto no mercado de trabalho, além de enfatizar que a tendência de surpresas se mantém. “Há menos de um mês, a mediana do Fed indicava que a taxa de desemprego passaria de 4,2% no quarto trimestre de 2021 para 3,5% no quarto trimestre de 2022. Em um mês, a taxa já cumpriu quase metade desse trajeto”, nota o economista do J.P. O banco, portanto, projeta que a meta dos Fed funds deve encerrar 2022 na faixa entre 1% e 1,25%.

Também após o “payroll”, os economistas do Deutsche Bank passaram a enxergar o início do ciclo em março e o total de quatro aumentos de 0,25 ponto nas taxas neste ano. “No entanto, o Fed será claramente muito ágil ao responder aos dados recebidos, tornando aumentos consecutivos nos juros ou altas ainda maiores [que 0,25 ponto] possíveis, além de pausas se o aperto das condições financeiras em resposta a esses movimentos mais agressivos se tornar muito perturbador”, avalia a equipe comandada por Matthew Luzzetti.

O Deutsche mantém a visão de três altas nos juros em 2023 e uma taxa no fim do ciclo na faixa entre 2% e 2,25%. “Com o aperto quantitativo [‘quantitative tightening’, ou QT, o enxugamento do balanço patrimonial] contribuindo significativamente para o processo de aperto, especialmente em 2023, o cenário econômico menos robusto e os membros votantes do comitê mudando para uma direção ‘dovish’ [inclinada ao afrouxamento monetário], esperamos que o Fed pause seu ciclo de aperto em algum ponto”, dizem os economistas do banco.


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