Eletrobras pode reajustar remuneração da administração em mais de 130%

Em comunicado, a empresa justificou que não há reajuste desde 2015; presidente passaria a receber R$ 300 mil

A assembleia geral extraordinária (AGE) da Eletrobras que será realizada em 22 de dezembro prevê um reajuste da ordem de 130% na remuneração da administração da empresa, retroativo a abril deste ano, de acordo com a proposta da administração.

De acordo com a proposta, a Eletrobras pagaria R$ 35,9 milhões a diretores, conselheiros de administração, conselheiros fiscais e integrantes de comitês estatutários de assessoramento ao conselho, relativos ao período entre abril deste ano e março de 2023. Em comunicado, a empresa justificou que não há reajuste desde 2015.

Em abril, o valor total aprovado para pagamento foi de R$ 15,441 milhões. Segundo a Eletrobras, a mudança no montante relativo ao período vigente se deu por causa da mudança no modelo de remuneração, a partir de estudo feito pela empresa de consultoria Korn Ferry, frente ao contexto da Eletrobras privatizada.

Trecho da proposta de administração afirma que há uma visão do conselho de administração e do Comitê de Pessoas da Eletrobras segundo a qual a companhia precisa fortalecer urgentemente estratégia de remuneração “para identificação, atração, desenvolvimento e retenção de talentos, bem como adequado alinhamento de interesses entre seus executivos, a companhia e seus acionistas”.

A conclusão, segundo a proposta, é de que “a atual estrutura remuneratória dos administradores da Eletrobras precisa ser imediatamente revisada, nos moldes adiante delineados, não sendo possível sequer aguardar a assembleia geral ordinária de 2023, sob pena de graves prejuízos associados a perda de talentos, à incapacidade de atração de novos profissionais e a potenciais atrasos ou não realização dos projetos e iniciativas associados às alavancas de valor da desestatização”.

O presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Jr, por exemplo, passaria a receber um salário de R$ 300 mil mensais, contra os atuais R$ 52,4 mil.

A nova remuneração foi proposta quase no mesmo momento em que a empresa concluiu um plano de desligamento voluntário, encerrado na sexta-feira, com potencial de adesão de mais de 2 mil colaboradores que já estão aposentados, mas ainda trabalhando na companhia ou já enquadrados como “aposentáveis”.