Vale a pena fazer o resgate antecipado de um título do Tesouro Direto?

Pode parecer tentador, mas nem sempre o resgate antecipado é bom para sua carteira

Descomplicar e facilitar a relação das pessoas com as próprias finanças e os investimentos é um dos objetivos da Inteligência Financeira. Pensando nisso, decidimos esclarecer uma dúvida enviada por uma leitora do nosso site sobre o resgate antecipado do Tesouro Direto.

Taciana Alencar nos enviou a seguinte pergunta: “Tenho uma aplicação no Tesouro IPCA, ou seja, IPCA 2,60%, com vencimento em 2026. Vale a pena resgatar e reaplicar no próprio tesouro direto ou outra aplicação?” 

Lucas Queiroz, estrategista de Renda Fixa do Itaú BBA, afirma que não vale a pena reaplicar o dinheiro no próprio título. Isso porque o investimento foi feito em um título indexado à inflação com taxa de IPCA+2,60% ao ano. No entanto, este ativo agora está sendo negociado a aproximadamente IPCA+6,60% a.a. no mercado secundário.  

“A queda no preço do ativo decorrente desta subida na taxa já ocorreu na sua carteira, e você já deve estar notando isso. O seu título agora passará a render daqui até o vencimento os mesmo IPCA+6,60% que aquele título novinho que está na prateleira do Tesouro Direto com a mesma etiqueta que o seu, e que você está pensando em adquirir. Assim, seria trocar seis por meia dúzia”, explica.

E se o título render mais do que o que foi contratado?

Mas, e se a partir de agora ele render mais do que a taxa contratada, essa subida da taxa será benéfica?

A resposta é: não. “Essa queda no preço é o mecanismo que garante que no vencimento você terá observado uma rentabilidade de IPCA+2,60% ao ano, desde o momento da compra. O seu título está acelerando mais daqui para frente, porém parte de um ponto mais baixo e chegará no vencimento no mesmo lugar esperado desde o início do seu investimento”, ressalta o especialista. 

Quando vale a pena fazer um resgate antecipado? 

De acordo com Lucas, em alguns momentos, o nosso horizonte de investimentos pode encurtar ou alongar, devido a mudanças na situação financeira de cada um ou mesmo uma alteração no objetivo estabelecido.

Nesses casos, a mudança pode fazer sentido. “Títulos com prazos maiores ou menores podem se tornar mais adequados, a depender da sua situação”, ressalta. 

Porém, é importante também entender o risco por trás dessa troca.

No próprio site do Tesouro Direto há um descritivo sobre o tema. Pode parecer tentador, por exemplo, resgatar um título antecipadamente e realizar um ganho maior naquele momento, reinvestindo o dinheiro.

“Dentre outros fatores, o preço do título aumenta em decorrência de uma queda da taxa de juros. Isso significa que se você resgatar o seu título hoje e quiser reinvestir comprando o mesmo título ou fazer outra aplicação com o mesmo grau de segurança, você provavelmente não encontrará rentabilidade tão favorável como a já contratada no título que você está resgatando. Este é o chamado risco de reinvestimento”, descreve o artigo.

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