Rumo (RAIL3) vai subir com a supersafra de 2025? Efeito pode demorar a aparecer

Empresas citadas na reportagem:
A Rumo (RAIL3), empresa de logística sob trilhos do grupo Cosan (CSAN3), deve aproveitar a supersafra de 2025 por meio do aumento de volume transportado. Mas o resultado pode chegar mais tarde que o esperado, afirma o banco americano Goldman Sachs em relatório divulgado nesta segunda-feira (17). Há ainda forte pressão de fretes do transporte via caminhões.
Tanto o Goldman quanto o Itaú BBA afirmam que o primeiro trimestre, onde geralmente o agronegócio brilha em sua participação do PIB, deve ser mais tímido para a Rumo. A transportadora reportou um volume de transportes fracos em janeiro. E o banco americano projeta queda de 5% no lucro da operação em 2025.
Supersafra deve chegar mais tarde para Rumo, avalia Goldman
O Goldman Sachs afirma que a Rumo (RAIL3) tende a se beneficiar de cenários em que a produção do agronegócio atinge recordes.
De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o agronegócio deve produzir 325 milhões de toneladas de grãos e cereais em 2025, aumento de 10% em relação à safra de 2024.
O arroz, o milho e a soja representam 92,9% da safra brasileira, segundo o IBGE.
O mercado financeiro espera assim uma “colheita tardia” da soja em 2025. E o Goldman prevê que a maioria dos produtores deve retirar a safra entre o final de março e o segundo semestre.
Assim, o impulso da supersafra nos resultados e nas ações da Rumo (RAIL3) deve começar mais tarde neste ano.
Ao mesmo tempo, o transporte por caminhão mostra sinal de “aceleração da colheita” em fevereiro, descreve o Goldman. Entre janeiro e fevereiro, rotas que saem de Sorriso (MT) mostraram reajuste de 53% a 47% no frete rodoviário.
“Isso traz benefícios para a Rumo”, dizem os analistas Bruno Amorim e João Frizo.
Por outro lado, eles explicam que o volume médio de soja exportada pelo Brasil apresentou queda de 80% em fevereiro de 2025 quando comparado com igual período do ano passado.
Mercado alerta para primeiro trimestre da Rumo (RAIL3)
Assim, o Goldman prevê um primeiro trimestre com volume mais fraco da Rumo.
Em janeiro, a Rumo (RAIL3) divulgou volume de transporte de 3,6 bilhões de toneladas por quilômetro, queda de 24% em relação a 2024. As toneladas de soja e milho por quilômetro recuaram 48% e 88%, respectivamente.
A queda do indicador no mês passado levou o Citi a recalcular expectativas para a Rumo no primeiro trimestre. “Elas estão muito otimistas, especialmente se tivermos volume fraco em fevereiro”, disse o banco.
O atraso na colheita de soja foi o que fez o Itaú BBA ligar o alerta para o resultado de primeiro trimestre da Rumo.
Analistas do banco de investimentos avisam que o balanço pode impactar negativamente a ação da empresa, com a transportadora entregando dados abaixo da média histórica para o período.
“Investidores podem ser surpreendidos negativamente com queda de volume de dois dígitos no ano a ano, potencialmente prejudicando o sentimento sobre as ações da Rumo (RAIL3)”, diz o Itaú BBA.
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