Para BTG, XP tem razão em dizer que acusação de ‘short seller’ é infundada

O BTG Pactual discorda das alegações da Grizzly Research contra a XP Inc., defendendo a robustez do modelo de negócios da corretora.

Empresas citadas na reportagem:

O time de pesquisa do BTG Pactual que cobre o setor financeiro publicou uma análise em que diz concordar com a XP Inc. de que a tese de “short seller” (vendida a descoberto), defendida pela Grizzly Research, é infundada.

A XP forneceu informações complementares no domingo e sinalizou que uma conferência com analistas poderia ser marcada pela companhia para sanar dúvidas que tenham restado do episódio.

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    As ações, que tinham sofrido um baque com a divulgação do relatório, no dia 12, que levantava graves acusações sobre o modelo operacional da plataforma de investimentos, se recuperaram na Nasdaq.

    O BTG Pactual, que na distribuição de varejo é o principal concorrente da XP, é a primeira casa grande de pesquisa a se manifestar sobre o assunto.

    Antes, análise da Ativa e da Empiricus, de Felipe Miranda, defenderam a plataforma, mas levantaram questionamentos sobre uma baixa alíquota de imposto que a XP pagaria pelas suas atividades.

    Nesta semana, ao divulgar recomendação de compra para as ações da XP, o Itaú BBA, cujo grupo já foi sócio relevante da XP, não mencionou o assunto.

    Qual é a argumentação do BTG?

    Para os analistas do BTG, a administração pode aproveitar esse vento contrário de curto prazo, de “ter que lidar com acusações infundadas” para explicar um pouco mais sobre “como e onde registra os seus resultados, por que sua taxa de imposto é menor e como gerencia a sua estratégia agressiva em renda fixa, girando rapidamente o seu estoque, operando de forma semelhante ao Citadel”.

    O texto defende que esse tipo de iniciativa contribuiria para compreender melhor o modelo de negócio da XP, o que poderia ajudar numa reclassificação das ações, já que muitos investimentos feitos para se proteger da concorrência serão diluídos ao longo do tempo e permitirão um retorno sobre o patrimônio (ROE) maior.

    No seu último release de resultado, a XP informou que sua taxa efetiva de imposto normalizada foi de 18,7%, saindo de 15,1% em 2023.

    A Ativa, em seu relatório divulgado na semana passada, apontou que em 2023, a alíquota efetiva da XP foi de apenas 1%, comparado aos 34% nominais cobrados de empresas brasileiras e aos 45% de instituições financeiras.

    Qual foi a reação da XP?

    A XP preferiu não se manifestar, mas uma fonte próxima da área de relações com investidores lembra que, para efeitos práticos, a XP não é uma companhia brasileira, é domiciliada em Cayman, negociada na Nasdaq e a origem do seu capital vem de fora.

    As suas demonstrações financeiras são divulgadas pelo padrão internacional IFRS. Tem, assim, um modelo parecido com o dos bancos estrangeiros.

    Os fundos, por sua vez, são os veículos para a viabilizar atividade de formador de mercado, um pré-requisito da regulação.

    Como multimercados, antecipam semestralmente o pagamento de imposto, pelo “come-cotas” à Receita Federal. Então, para se calcular a alíquota efetiva, é preciso recolocar na conta a tributação já incorrida.

    No documento disponibilizado pela área de relações com investidores da XP no domingo, a instituição explicou a finalidade dos fundos Gladius e Coliseu, que estiveram no centro da polêmica.

    O que disse a Grizzly em seu relatório?

    A Grizzly citou que esses veículos funcionavam como uma espécie de esquema Ponzi, especialmente para girar certificados de operações estruturadas (CEO) vendidos aos seus clientes, apurando resultados extraordinários, acima de qualquer outro multimercado.

    “Os fundos mencionados no relatório são veículos exclusivos da tesouraria da XP Inc., nos quais a própria companhia é a única cotista. Eles não captam recursos de clientes, tampouco dependem da entrada de novos participantes para manter suas operações ou compor seu patrimônio líquido e, portanto, sua estrutura de rentabilidade não pode ser comparada com fundos de investimento que são distribuídos abertamente no mercado”, esclareceu a XP na ocasião.

    Conforme continua, o resultado dessas carteiras “é fruto da atuação da XP em diversos mercados e instrumentos nos quais a companhia tem uma participação significativa, especialmente, a remuneração por serviços de formação de mercado e liquidez em diversos segmentos da indústria financeira, cobrindo tanto investidores do varejo, quanto clientes corporativos e institucionais”.

    Na análise do BTG Pactual, assinada por Eduardo Rosman, Thiago Paura e Ricardo Buchpiguel, eles citam que esses fundos são essenciais para gerenciar o risco de mercado e de liquidez.

    O relatório da Grizzly mencionava que a XP tem sua estrutura em Cayman e o capital que levantou no exterior era o principal contribuinte para os fundos.

    Na verdade, esses veículos são usados pela XP para suas atividades de formador de mercado e de provedor de liquidez para os próprios clientes, quando atua como contraparte das transações, no mecanismo de RLP (retail liquidity provider), papel regulamentado no mercado brasileiro, no fluxo de ordens internacionais e spreads em notas estruturadas (COE).

    “Como há inúmeras operações de varejo, pode-se teoricamente argumentar que é praticamente uma receita de taxas. Isso explica a lucratividade muito alta, estável e relativamente consistente ao longo do tempo”, escrevem os analistas do BTG Pactual. “Na prática é um negócio baseado em spreads porque está executando milhões de negociações e combinando ordens de compra e venda.”

    XP deu explicações em relação à oferta de COEs

    A XP ainda se manifestou a respeito da oferta de COE, apontada pela empresa de pesquisa estrangeira como a raiz das supostas irregularidades cometidas pela XP.

    A companhia afirmou que essas notas estruturadas representam 3% dos investimentos sob sua custódia, uma “pequena fração das carteiras dos clientes”.

    “Por ter um preço comparável e em linha a outros ativos de investimento, sua relevância para os resultados da companhia é também similar à sua representatividade em custódia (aproximadamente 3%)”, escreve a XP.

    No ano, as ações da XP acumulam valorização de quase 30%, ou seja, os papéis não são mais uma “barganha”, como era no início de 2025, de acordo com o BTG.

    Isso significa que atingir um crescimento da ordem de 10% das receitas, conforme sinalizado pelo executivo-chefe da XP, Thiago Maffra, “está se tornando cada vez mais crucial para novas altas”.

    O preço-alvo estimado é de US$ 17,00, ante os US$ 15,26 negociados hoje na Nasdaq.

    *Com informações do Valor Econômico

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