Um aspecto importante da tragédia no Rio Grande do Sul: a saúde mental

Tragédia no RS já deixou mais de 140 mortos e mais de 750 feridos

Existem alguns resultados cristalinos da tragédia no Rio Grande do Sul.

Assim, de acordo com dados da Defesa Civil, já são mais de 140 mortos, número que pode aumentar pois há pessoas desaparecidas. Eram mais de 120 no último domingo (12).

E são mais de 750 feridos.

Mas existem outras implicações, talvez, menos visíveis, desta tragédia humanitária.

O impacto na produtividade das pessoas que viveram a tragédia e sobreviveram e que são afetadas em sua saúde mental é um exemplo.

“São estudos mais novos, que é a questão da saúde mental. Então, você tem as pessoas que foram afetadas por muito tempo, é quase que você estar numa situação de guerra e de você ter esse estresse pós-traumático. E tem muitos estudos que falam como isso gera um custo para o governo também, que aí precisa usar mais recursos para tratamento, mais recursos para, enfim, campanhas de prevenção com a saúde mental”.

A frase é de Luiza Martins Karpavicius.

Luiza se formou em economia na Universidade de São Paulo (USP).

Ela fez mestrado na Dinamarca, em Copenhagen, onde estudou o impacto da produção de soja no meio-ambiente.

E hoje faz doutorado no mesmo país, na Universidade de Aarhus, e estuda políticas de sequestro de carbono para mitigar os efeitos dessas emissões.

Efeitos econômicos na tragédia no Rio Grande do Sul

Dessa forma, é a partir desse histórico acadêmico que Karpavicius conversou com a reportagem da Inteligência Financeira.

Assim, a ideia era, também, analisar os impactos econômicos da tragédia humanitária no Rio Grande do Sul.

Então, ela fala primeiro do efeito no Produto Interno Bruto (PIB).

Aeroporto de Porto Alegre inundado pelas chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul. Foto: Ricardo Stuckert/PR

“Um jeito de pensar, usando o exemplo do Rio Grande do Sul, o que a gente vê em muitos casos que tiveram enchentes, que tiveram desastres assim, o que acontece é que tem um efeito econômico de redução do PIB que persiste por muito tempo”, analisa.

Dessa forma, há a estimativa de que o PIB brasileiro sofra recuo de ao menos 0,3 ponto por conta da tragédia no Rio Grande do Sul. Isso foi mostrado pelo repórter Pedro Knoth nesta reportagem publicada no sábado pela Inteligência Financeira.

O papel do governo na tragédia no Rio Grande do Sul

Assim, Luiza também analisa qual deve ser o papel do governo daqui em diante.

Dessa maneira, na esfera federal, foram liberados quase R$ 51 bilhões em ajuda monetária. No domingo uma MP complementou esses recursos com mais R$ 12 bilhões para atender municípios afetados.

“Acho que o papel do governo agora não é só ajudar essas pessoas, ou dar uma certa compensação monetária para essas pessoas, para ajudá-las a se restabelecerem, mas é também se preparar para esses cenários acontecendo no futuro. É tentar fazer tudo o que o Brasil conseguir para mitigar (o problema do) clima”, conclui.

Recorde em dois milhões de anos

Então, dados da Organização das Nações Unidas (ONU) mostram que a concentração de gases de efeito estufa estão em seus níveis mais altos em dois milhões de anos.

Assim, a temperatura hoje no planeta está cerca de 1,1ºC mais quente do que o observado no final do século XIX.

Dessa maneira, segundo a ONU, as consequências são secas intensas, escassez de água, aumento do nível do mar, derretimento do gelo polar, declínio da biodiversidade.

E inundações.