Quase 200% de alta: parceria com Shein faz ação de empresa brasileira disparar na bolsa

Anúncio foi feito no final de semana e acontece depois da polêmica sobre taxação de produtos vindos de fora via compras pelo site chinês

As maiores altas da bolsa na tarde desta segunda-feira (24) estão relacionadas ao site asiático de compras Shein. Coteminas, Springs e Santanense fecharam parceria com a empresa do Oriente para produção no Brasil. Com isso, as ações viveram apreciação de até três dígitos na bolsa.

As ações preferenciais da Coteminas (CTNM4) fecharam com alta de 195,86%. Ao mesmo tempo, as ordinárias (CTNM3) avançaram 199,50%. Com isso, os papéis passaram a valer R$ 3,58 e R$ 12,01, respectivamente.

Ao mesmo tempo, as ordinárias da Santanense (CTSA3) subiram 141,13%, cotadas a R$ 3,40. As preferenciais subiram 89%, para R$ 1,89.

Já a Springs contou com alta de 95,89% (SGPS3).

Volume baixo

Apesar da grande valorização dos papéis, o volume movimentado por eles na bolsa foi relativamente baixo. Apenas três desses papéis romperam a barreira dos milhões de reais negociados no dia na bolsa: CTNM4, SGPS3 e CTSA4.

Produção da Shein no Brasil

Na última semana, a Shein anunciou que vai investir R$ 750 milhões no Brasil e criar cerca de 100 mil empregos ao trazer para cá parte da sua produção. A declaração aconteceu depois da polêmica envolvendo a possível taxação de compras do portal chinês.

Segundo o governo brasileiro, alguns players do comércio eletrônico se beneficiam das isenções para pessoas físicas relacionadas a emissões de baixo valor.

Tributação devida

Durante apresentação do arcabouço fiscal, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o aumento da arrecadação viria principalmente de colocar na conta setores e players que não estão sendo devidamente tributados.

Diante disso, a Shein teria se comprometido a regularizar sua situação no país e manter seu aumento de participação no mercado sem recorrer a isenções ilegais de imposto. Na última quinta, a empresa enviou uma carta de compromissos a Haddad com a promessa de, em até quatro anos, nacionalizar até 85% dos produtos vendidos em território brasileiro.

Shein enxerga risco em não adaptação

Embora os compromissos de investimento da Shein para a produção local sejam substanciais, também indicam a consciência da empresa sobre os riscos potenciais do aumento da supervisão do governo, dizem os analistas do Santander Ruben Couto, Eric Huang e Vitor Fuziharo.

“Em nossa opinião, o momento e a natureza substancial de tais investimentos podem ser uma indicação de que a empresa está ciente de que suas vendas atuais e seu posicionamento competitivo provavelmente estão em risco devido ao aumento futuro da supervisão do governo”, comentam.

Impacto sobre o varejo local

Os analistas dizem ainda que os varejistas locais devem equilibrar os benefícios e os riscos dessa transformação e tomar medidas como investir em parcerias com fornecedores, acelerar a adoção do comércio eletrônico e gerenciar os riscos de lucratividade devido ao aumento da concorrência e pressão de preços.

O Santander tem recomendação de compra para as ações da Lojas Renner, com preço-alvo de R$ 30. Para a C&A, o banco tem recomendação neutra e preço-alvo de R$ 2,40.

Com informações do Valor Pro