Lula lamenta juros a 10,5%: ‘Quem perde é o povo brasileiro’

Presidente da República voltou a cutucar o atual presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, ao defender que ele tem 'tanta autonomia' quanto o Henrique Meirelles, ex-presidente do BC

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira que foi uma “pena” o Comitê de Política Monetária (Copom) ter mantido a taxa básica de juros. Para o presidente, quem perdeu com essa decisão, de manter a Selic em 10,5%, foi o “povo brasileiro”.

Lula acusou também o Banco Central de “investir no sistema financeiro” e “nos especuladores que ganham dinheiro com juros”.

“Foi uma pena que o Copom manteve os juros porque quem está perdendo é o povo brasileiro. Quando mais alto os juros, menos dinheiro sobra para a gente investir aqui dentro [do Brasil] A decisão do BC não foi investir no povo brasileiro, foi investir no sistema financeiro, nos especuladores que ganham dinheiro com juros”, disse o presidente durante entrevista para a rádio “Verdinha”, de Fortaleza (CE).

Lula voltou a cutucar o atual presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, ao defender que ele tem “tanta autonomia” quanto o Henrique Meirelles, ex-presidente do BC, tinha durante seus primeiros mandatos como presidente da República.

“O presidente da República nunca se mete nas decisões do Copom ou BC. O Meirelles tinha autonomia comigo tanto como esse que está aí [Roberto Campos Neto]. Resolveram [no Congresso] entender que deveria ser colocado um presidente do BC que tivesse autonomia financeira. Autonomia do BC em relação quem? Para servir quem? Atender quem?”, questionou, em tom irônico.

Por fim, o presidente da República acusou os bancos brasileiros de preferirem “ganhar dinheiro” com juros altos em vez de oferecer crédito.

“Por que não se transforma em gasto a taxa de juros que pagamos? Os bancos privados preferem, em vez de oferecer crédito, ganhar com juros altos”, complementou.

No comunicado divulgado ontem pelo Copom, o colegiado destacou que um cenário global incerto e o cenário doméstico “marcado por resiliência na atividade, elevação das projeções de inflação e expectativas desancoradas” demandariam maior cautela em relação aos juros.

Além disso, o comitê não assumiu compromissos explícitos para a trajetória da Selic nas próximas reuniões e ressaltou que se manterá vigilante e que “eventuais ajustes futuros” devem ser ditados “pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta”.

Também ressaltou que a política monetária deve se manter contracionista “por tempo suficiente em patamar que consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas”.

Com informações do Valor Econômico

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