Rali do S&P 500 freia e julho deve ser mês crítico para índice

O preço/lucro do S&P 500 tem estado no limite superior do seu intervalo desde o início de 2022, quando o Fed começou a aumentar as taxas de juro

O rali que o índice acionário S&P 500 vinha vivendo foi interrompido em junho – e pode até desaparecer após vários eventos importantes que devem ocorrer no próximo mês. O S&P 500 registrou uma valorização de 33% desde a mínima observada no fim de outubro de 2023, alcançando o recorde histórico em 18 de junho.

As ações das empresas de tecnologia, as Big Techs, não foram as únicas a levarem o índice a este patamar elevado; os outros dez setores do S&P 500 também desempenharam um papel importante. Mas desde o pico, o S&P 500 já recuou 0,5%, para 5.460 pontos, e os investidores estão ansiosos pela realização de lucros.

Essa dinâmica foi observada nesta semana, com boas notícias não conseguindo desencadear uma recuperação do índice. Na sexta-feira, o Escritório americano de Análises Econômicas (Bea, na sigla em inglês) divulgou a leitura de maio do deflator de gastos de consumo pessoal (PCE), a medida de inflação preferida do Federal Reserve (Fed).

Os dados mostraram um avanço do índice de 2,6% ano a ano, abaixo dos 2,7% de abril. A meta de inflação do Fed é de 2%, por isso, diante deste cenário, ainda é possível que o banco central reduza as taxas de juros ainda neste ano para manter a economia em crescimento. Mesmo com esses números na sexta, o S&P 500 terminou o dia no vermelho, porque já tinha antecipado durante meses os dados que dariam suporte para uma política de cortes nas taxas.

Esse otimismo encareceu as ações, afastando os compradores do mercado nos últimos pregões. O preço/lucro do S&P 500 tem estado no limite superior do seu intervalo desde o início de 2022, quando o Fed começou a aumentar as taxas de juro. Taxas mais elevadas reduzem, em vez de aumentar, o valor dos lucros futuros das empresas. A valorização elevada significa que, para manter a recuperação, o mercado precisa da confirmação de que as taxas de juros vão cair – e que os lucros vão continuar aumentando.

Julho será um mês crítico. Wall Street está aguardando a leitura de junho do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês), que será divulgada em 11 de julho. As estimativas de consenso dos economistas consultados pela FactSet apontam para um avanço de 3,1% ano a ano, o que seria inferior ao resultado de 3,3% de maio. Isso ajudaria a validar a tese do mercado de que a Fed poderá cortar as taxas em breve.

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), do Fed, também realizará a sua reunião nos dias 30 e 31 de julho, quando os responsáveis ​​do banco central americano anunciarão a sua mais recente decisão sobre os juros. Os mercados esperam que o Fed mantenha a taxa dos Fed Funds inalterada no intervalo entre 5,25% e 5,5%, mas prestarão especial atenção a qualquer indicação da autoridade sobre futuras decisões sobre as taxas.

Como de costume, o presidente do Fed, Jerome Powell, deve fazer comentários na conferência de imprensa pós-reunião em 31 de julho – e dois cenários gerais podem ocorrer. Se Powell insinuar que o BC americano gostaria de reduzir as taxas em breve, deve fazer isso enfatizando que a política de taxas de juro depende dos dados econômicos – e as ações poderão estourar e atingir novos máximos. Se ele se mostrar mais “hawkish” (conservador e favorável aos juros mais elevados) ou mais propenso a manter as taxas nos níveis atuais por um período prolongado, as ações poderão não ter para onde ir, a não ser cair.

“A espera interminável por um corte nas taxas do Fed é perfeitamente capaz de se estender durante o verão”, escreve Walter Zimmerman, estrategista técnico-chefe da ICAP Technical Analysis. Isso coloca em foco os níveis do S&P 500. Caso o índice não consiga ultrapassar o seu recorde atual, isso poderá sinalizar mais quedas durante algum tempo.

Se o S&P 500 cair devido a desenvolvimentos econômicos negativos, é preciso prestar atenção no intervalo de 5.200 a 5.300 pontos. Isso porque, nesta primavera (outono no Brasil), os investidores chegaram a estes níveis para elevar o índice. Se apoiarem o S&P 500 nestes níveis mais uma vez [se deixar cair disso], esse suporte indica que os traders estão confiantes nas perspectivas do mercado – e estão prontos para voos mais altos. Se os investidores não derem esse suporte [e o nível for abaixo de 5.200 pontos], significa que essa convicção desapareceu e é provável que mais quedas estejam a caminho, observa Zimmerman.

A média móvel de 50 dias do índice, atualmente em 5.269, também é importante: o S&P 500 normalmente tem visto suporte nessa média no longo prazo, de acordo com a FactSet, mas quando cai abaixo, muitas vezes vê novas quedas. Nos últimos três anos, houve vários casos em que o índice caiu abaixo da média e continuou a cair antes de atingir o fundo do poço – com três dessas ocasiões apresentando desvalorização superior a 10%. As ações estão prestes a esquentar ou esfriar neste verão, e os acontecimentos nas próximas semanas serão o fator decisivo.

Com informações do Valor Econômico

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