Prio (PRIO3) negocia com bancos compra de fatia na Enauta (ENAT3)

As ações da Enauta foram dadas em garantia pela Queiroz Galvão em 2019

A Prio (PRIO3) negocia com Bradesco e Santander a compra da fatia que essas instituições podem assumir na Enauta (ENAT3), atualmente controlada pela Queiroz Galvão, segundo informações publicadas hoje pelo colunista Lauro Jardim, do jornal “O Globo”. Ainda de acordo com o colunista, a participação dos bancos no capital da petroleira seria de 28%.

A informação tem como pano de fundo a readequação de capital da Queiroz Galvão. Na sexta-feira, a oscilação atípica dos papéis da Enauta levou a construtora – que controla a petroleira com 63% do capital – a afirmar, em fato relevante divulgado pela Enauta, que “não celebrou acordo ou qualquer documento que determine que a Queiroz Galvão S.A. ceda, transfira ou de qualquer forma aliene de forma definitiva ações de demissão da companhia [Enauta] a seus credores.”

As ações da Enauta foram dadas em garantia pela construtora em 2019 para alongamento de uma dívida, à época, de cerca de R$ 8 bilhões, as quais agora podem ser executadas. Conforme publicou o Valor no mês passado, entre os credores, estão os bancos Bradesco e Santander, além da Jive, gestora que investe em companhias em dificuldades financeiras.

À época que fechou o acordo para dar ações em garantia aos credores, a Enauta divulgou, em comunicado, que ficou estabelecida a alienação fiduciária de 78.616.957 ações da companhia, além da alienação, sob condição suspensiva, de outras 55.422.213 ações e o penhor, em segundo grau, de 33.420.121 papéis. Essas ações representam a totalidade da participação da Queiroz Galvão na companhia.

Ou seja, a negociação entre Prio, Bradesco e Santander poderia levar a petroleira a ficar com a parte dos bancos na concorrente, caso as ações dadas em garantia terminem realmente nas mãos das instituições financeiras.

Procurada, a Prio afirmou que não comentaria. Contatados por email, Bradesco e Santander não responderam até o momento.