Tramitação da PEC deve diminuir ruídos no mercado, diz Nelson Barbosa

Ex-ministro da Fazenda, Barbosa elogiou Haddad como "um dos melhores quadros políticos do Brasil"

O ex-ministro Nelson Barbosa disse nesta quarta-feira que a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Transição deve diminuir ruídos no mercado sobre o rombo fiscal em 2023 e sobre o nome do futuro ministro da Economia.

Falando a jornalistas no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), onde funciona o governo de transição, Barbosa elogiou Fernando Haddad, nome mais cotado para assumir a pasta no novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“O Fernando Haddad é um dos melhores quadros políticos do Brasil. E nós estamos fazendo uma proposta de ministério, para que o ministro escolhido possa trabalhar”, afirmou. “O mercado flutua, vai e volta. À medida que os discursos e as propostas começarem a ser definidos mais objetivamente, o que depende da discussão do Congresso — a questão começa na política —, eu acho que a tramitação da PEC vai diminuir a maior parte desses ruídos sobre valores e sobre nomes.”

Questionado se o anúncio do nome do novo ministro é iminente, Barbosa sugeriu que a pergunta fosse feita ao presidente eleito.

“É o técnico [Lula] quem define quando vai escalar o time”, afirmou.

Barbosa admite fatiar Ministério da Economia

O grupo da transição admitiu também nesta quarta-feira que estuda dividir o atual Ministério da Economia em três, como já havia sinalizado Lula. Nesse caso, seriam recriados os Ministérios do Planejamento e da Indústria e Comércio.

O pedido, conforme Barbosa, foi feito inclusive pela equipe do vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB). “O GT de Economia está trabalhando apenas com o Ministério da Economia. Mas houve um pedido da coordenação geral para que se estudasse a divisão do Ministério da Economia em três. Seriam Ministério do Planejamento, Ministério da Economia e Ministério da Indústria e Comércio”, disse Barbosa.

Avanço da PEC de Transição

A tramitação da PEC da Transição ganhou desdobramentos nesta quarta. O PT, partido do presidente eleito, já admite que o texto deve sofrer reduções de impacto e prazo. O PP, sigla do atual presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, indicou que é favorável à proposta, desde que o prazo seja reduzido para tornar gastos com o Bolsa Família fora do teto somente para 2023.

Apesar da nota divulgada pelo PP, dirigentes do partido admitem, reservadamente, que é possível chegar num meio termo em relação à proposta do PT, negociando um valor e um prazo intermediário.