Rússia considera moeda comum dos Brics defendida por Lula inviável no curto prazo

A proposta é defendida pelo presidente brasileiro como uma forma de reduzir a dependência do dólar em transações comerciais

A Rússia descartou que uma moeda única do Brics (Brasil, China, Índia, Rússia e África do Sul) possa ser criada neste momento. A proposta é defendida pelo presidente Lula, que tem insistido em reduzir a dependência do dólar em transações comerciais.

Excluída do sistema financeiro internacional em resposta à guerra, Moscou alega que o processo de “desdolarização” da economia avança de forma “implacável”, mas que uma moeda comum ainda deve levar tempo.

“Muitos países estão trilhando o caminho de usar moedas nacionais em acordos. Certamente, há discussões em andamento sobre a possibilidade e viabilidade de introduzir determinados processos de integração. […] Isso dificilmente poderá ser implementado no curto prazo”, disse o porta-voz do Kremlin Dmitri Peskov sobre a proposta defendida pelo Brasil.

A introdução de uma moeda comum dificilmente deve ser implementada durante a Cúpula mas isso não significa que não deve ser discutido, afirmou o porta-voz russo. “As discussões a esse respeito definitivamente vão continuar, declarou Peskov.

A hegemonia da moeda americana foi um dos temas do encontro da ex-presidente Dilma Rousseff, que comanda o Banco dos Brics, com o líder russo Vladimir Putin, na semana passada.

Ao longo da reunião, Putin alegou que o dólar tem sido usado como “instrumento de luta política” e alardeou que as transações com moedas nacionais têm sido cada vez mais frequentes entre os países do bloco.

O encontro ocorreu em meio à Cúpula Rússia-África, que antecede a reunião dos países do Brics. Esse último está marcado para o final do mês e ocorrerá sem a presença de Putin em Johannesburgo, África do Sul.

O país é signatário do Tribunal Penal Internacional, que emitiu um mandado de prisão contra Putin pela guerra na Ucrânia. Para não ser preso, ele decidiu participar apenas por vídeo.

Expansão dos Brics

Outro ponto que gera discussões internas é a possibilidade de uma expansão do grupo. Seria a primeira desde 2011, quando a África do Sul foi incorporada ao grupo dos países emergentes.

Antes resistente, o presidente Lula defendeu a ampliação na quarta-feira. “Acho extremamente importante que a Arábia Saudita, os Emirados Árabes [Unidos], se quiserem, a Argentina se juntem aos Brics”, disse a repórteres.

A Índia parece seguir o mesmo caminho. Nos últimos dias, circulou a informação de que Nova Délhi se posicionaria contra a expansão. O motivo seria a rivalidade com a China e o temor que Pequim se aproveitasse da ampliação dos Brics em favor de causas próprias.

O ministério das relações exteriores da Índia reagiu dizendo que as notícias não tem “embasamento”. Segundo o porta-voz da pasta, o país vê a expansão do grupo com “mente aberta e olhar positivo”.

A Rússia, que assumirá a presidência do grupo no ano que vem, se mantém reservada sobre o tema. O porta-voz Dmitri Peskov declarou que esse é um assunto que tem muitas “nuances” e, por isso, o Kremlin não se apressaria em adiantar a posição sobre o aumento do grupo.

Com informações do Estadão Conteúdo