Silveira: é incoerente adiar licenciamento da Margem Equatorial para depois da COP30
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Ao rebater críticas de ex-ministro do Meio Ambiente, o atual titular da pasta de Minas e Energia, Alexandre Silveira, classificou como “covardia” contra o povo brasileiro a defesa do adiamento da análise do licenciamento de bloco de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial, para depois da edição deste ano da conferência do clima das Nações Unidas (ONU) no Brasil, a COP30.
A declaração de Silveira foi dada ao ser questionado sobre o artigo assinado pelo ex-ministro do Meio Ambiente Carlos Minc, que é deputado estadual pelo PSB do Rio de Janeiro.
O texto, publicado no jornal “O Globo”, também é assinado pelo professor titular da Coppe-UFRJ e membro efetivo do Painel de Mudanças Climáticas da ONU, Emilio La Rovere.
“Eu acho que é uma covardia com o povo brasileiro tremenda, em especial com o povo do Nordeste e Norte do Brasil, de querer dizer ‘não, não vamos fazer antes’ para nós ficarmos como ‘bonitinhos’ para fora, mas vamos fazer depois que todo mundo for embora de lá , virar as costas, a gente faz. Qual o sentido?”, questionou o ministro.
Silveira diz que decisão seria ‘enganar’ os líderes da COP
Outra fala do ministro dirigida à proposta de deixar o licenciamento pedido pela Petrobras para depois da COP30 é que seria, na prática, “enganar” os líderes que vão participar do evento internacional.
“Qual o sentido prático disso [deixar o licenciamento para depois da conferência]? Enganar quem vem a COP? Sair politicamente correto? Nós já somos politicamente e estruturalmente corretos com relação à sustentabilidade”, disse Silveira.
“Quem tem que se preocupar com isso são países ricos e industrializados que, esses sim, têm que cumprir com os seus compromissos internacionais de investimento na transição energética, financiar as florestas que ainda restam no planeta”. acrescentou.
Silveira disse que também defende que o licenciamento passe por uma análise técnica, argumento que costuma ser usado pela ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.
Silveira diz que não tolerará ‘achismos’ ou ‘extremismos’
Para ele, se tiver uma “vírgula” dependência nas obrigações a serem cumpridas pela Petrobras, irá defender que seja resolvida, mas que não vai tolerar “achismos” ou “extremismos” seja de quem tem interesse de barrar o projeto ou busca o licenciamento do projeto.
“Eu tô esperando o presidente do Ibama [Rodrigo Agostinho] dizer ‘a Petrobras cumpriu todos os requisitos da legislação ambiental da licença’. Ou ‘não, a Petrobrás não cumpriu e falta A, B e C…’ A questão é objetiva, não é política”, afirmou.
Hoje, Silveira participou da abertura da “2ª segunda Reunião de Energia” no âmbito dos encontros preparatórios dos BRICS. O grupo de países emergentes está sob a presidência brasileira.
No discurso de abertura, o ministro reforçou as prioridades do país na área de energia, especialmente no que se refere à transição energética “justa e inclusiva”.
*Com informações do Valor Econômico
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