João Amoêdo deixa Partido Novo após fundá-lo em 2011

Fundador do Novo e candidato à presidência pelo partido em 2018, João Amoêdo anunciou saída do partido nesta sexta-feira

João Amoêdo, fundador do Partido Novo, deixou a sigla na tarde desta sexta-feira (25). Em comunicado pelas redes sociais, ele lamentou a saída do partido que ajudou a fundar em 2011. “Infelizmente, o NOVO, fundado em 2011 e pelo qual trabalhamos por mais de 10 anos, não existe mais”, disse Amoêdo em seu Twitter.

Ao explicar a saída do Novo, Amoêdo afirmou que o partido que ajudou a fundar foi sendo desfigurado, se distanciando “de sua concepção original de ser uma instituição inovadora, que, com visão de longo prazo, sem culto a salvadores da pátria, representava a esperança de algo diferente na política”.

João Amoêdo explica saída do Novo

Durante as eleições, após declarar apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, João Amoêdo foi atacado por um parlamentar da legenda, o deputado Marcel van Hattem (RS). O próprio partido chegou a emitir uma nota contrariando a decisão do fundador. Segundo Amoêdo, esse foi um dos motivos para sua saída. Ele estava com sua filiação suspensa desde outubro após declarar voto em Lula.

“O NOVO atual descumpre o próprio estatuto, aparelha a sua Comissão de Ética para calar filiados, faz coligações apenas por interesses eleitorais, idolatra mandatários, não reconhece os erros, ataca os Poderes constituídos da República e estimula ações contra a democracia”, disse Amoêdo.

A falta de reação do partido ao “péssimo desempenho eleitoral”, assim como à saída de “milhares de filiados” e “inúmeros dirigentes” sinalizou a Amoêdo que o Novo da época de fundação ficou velho — no passado e irrecuperável.

“Ao contrário, a direção da instituição prefere ignorar as evidências, busca silenciar as vozes divergentes, transfere responsabilidades e segue prometendo que ‘agora será diferente'”, continuou Amoêdo. “Esse NOVO, definitivamente, não me representa. Neste cenário, seria incoerente permanecer em um partido com o qual tenho diferenças de visão, de propósito e de conduta.”

Amoêdo fundou o Partido Novo em 2011

O Partido Novo foi concebido em 2011 por uma série de representantes da sociedade civil, inclusive com apoio de importantes figuras do mercado financeiro. Segundo a página oficial do partido, 181 pessoas ajudaram a erguer a sigla na época. Amoêdo estava entre elas.

Em 2018, o partido lançou João Amoêdo como candidato à presidência da república nas eleições gerais daquele ano. Posicionado como de centro-direita, ou como “liberal na economia e conservador nos costumes”, Amoêdo conquistou uma votação supreendente nas urnas, angariando mais de 2,6 milhões de votos. O Novo conquistou oito cadeiras na Câmara dos Deputados, além de eleger Romeu Zema como governador de Minas.

Em 2022, entretanto, o partido só conseguiu reeleger três parlamentares para a Câmara. Zema manteve-se como governador, mas apoiou Bolsonaro, enquanto o partido recomendou que cada filiado escolhesse a quem endossar no segundo turno.

Somado ao mau desempenho em geral, o candidato à presidência do Novo, o cientista político Felipe d’Avila, obteve apenas 559 mil votos.

Apoio a Lula gerou rusga entre Amoêdo e Novo

Nas redes, após Amoêdo decidir ir na direção contrária e apoiar Lula, o deputado federal reeleito da sigla, Marcel Van Hattem, chegou a dizer que o empresário “traiu quem decidiu votar nele em 2018”. O Novo suspendeu a filiação de Amoêdo após a declaração de voto em Lula.

Mais recentemente, o partido está por trás do pedido de CPI para investigar decretos e a postura do STF (Supremo Tribunal Federal) e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Amoêdo se posicionou contra a criação de uma comissão para investigar os órgãos do Judiciário.

Por fim, na mensagem de desfiliação, Amoêdo disse que “sua saída do Novo em nada muda sua vontade de ajudar o Brasil”.

“Espero levar os aprendizados desse projeto e, junto com aqueles que conheci e que compartilham dos mesmos valores, trabalhar pelo que sempre foi meu objetivo: contribuir para melhorar a vida dos brasileiros”, concluiu o fundador do Novo.