Nubank realiza demissões e cláusula de ‘não-difamação’ chama atenção

Ex-funcionários disseram que banco ofereceu bônus para quem aceitasse a cláusula

O Nubank realizou na semana passada a demissão de algumas poucas dezenas de funcionários, de diversos setores. Em meio à onda de desligamentos que afeta as empresas ligadas a tecnologia, o movimento até poderia passar batido. O que chamou atenção, no entanto, foram o relatos dos ex-funcionários sobre a cláusula de “não-difamação”.

Segundo informações de alguns dos desligados, quem aceitasse a cláusula que proíbe de falar mal publicamente da empresa receberia um salário adicional e uma extensão de três meses do plano de saúde.

Nos últimos meses, se tornou comum funcionários desligados de fintechs e startups em geral relatarem sua condição no LinkedIn, muitos para dizer que estão abertos a novas vagas, mas diversos também mostrando insatisfação, inclusive com o não pagamento integral de bônus aos quais eles acreditavam ter direito.

No LinkedIn, uma usuária identificada como Jéssica L., da área de recursos humanos, diz que foi “uma das afetadas pelos desligamentos em massa que estão ocorrendo no Nubank”. “É o terceiro mês de demissões e dessa vez a má notícia chegou até mim, mas faz parte”, escreveu. Outro usuário, Rodrigo Nascimento, relata que após quatro anos foi “desligado do Nubank nas demissões que andam fazendo”.

Procurado, o Nubank não revela o número de demissões, mas diz que, como todas as empresas, avalia constantemente sua estrutura e realiza contratações, desligamentos e transferências internas de acordo com as demandas do negócio, performance, necessidade de equipe, entre outros motivos.

“O Nubank segue contratando, no ritmo adequado para seus planos de negócios em 2023. Em respeito ao sigilo e proteção de dados dos seus funcionários, a empresa não comenta publicamente casos específicos, mas reitera que segue à risca a legislação trabalhista.”

Sobre a cláusula de não-difamação, o Nubank diz que as obrigações de confidencialidade são recíprocas e praticadas por diversas empresas do setor. Segundo o banco, não é uma prática que começou agora. “Elas constam nos nossos contratos de trabalho desde o momento de admissão, e são reiteradas nos acordos de desligamento.”

Essa é pelo menos a terceira leva de demissões no Nubank nos últimos meses. Em dezembro, algumas poucas dezenas de funcionários foram e, em janeiro o banco demitiu 40 pessoas e sua área de assessoria de investimentos.

Leia a seguir

Leia a seguir