Fraude de R$ 25 bilhões na Americanas (AMER3): ex-CEO e mais executivos são alvos da Polícia Federal

Operação Disclosure mira indícios dos crimes de manipulação de mercado, uso de informação privilegiada, associação criminosa e lavagem de dinheiro

Um acordo de colaboração premiada serviu como base para a operação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal que investiga um suposto esquema de fraudes nas Americanas (AMER3). A ação, batizada de Disclosure, foi iniciada nesta quinta-feira (27), mirando ex-diretores da empresa.

De acordo com o MPF, dirigentes atuais das Americanas procuraram a procuradoria para colaborar com as investigações, que já estavam sendo tocadas pela Polícia Federal. As supostas fraudes contábeis levaram a um desfalque de R$ 25,3 bilhões no patrimônio da empresa, conforme fato relevante divulgado pela companhia no ano passado.

Miguel Gutierrez

Foram expedidos dois mandados de prisão preventiva contra ex-diretores das Americanas, que, no entanto, não puderam ser presos por estarem fora do país. De acordo com o colunista Lauro Jardim, do jornal “O Globo”, um dos alvos é o ex-diretor-executivo Miguel Gutierrez. Ele mora em Madrid desde o ano passado — quando o caso veio à tona.

Também são cumpridos pela PF 15 mandados de busca e apreensão em casas dos ex-executivos, no Rio de Janeiro. A Justiça Federal também determinou o sequestro de bens e valores dos ex-diretores que somam mais de meio bilhão de reais.

Delação premiada

Segundo o MPF, a atual direção das Americanas passou a colaborar com os investigadores dando, inclusive, informações sobre o funcionamento das fraudes para ludibriar o mercado de capitais. A operação conta com o apoio técnico da Comissão de Valores Mobiliários.

O inquérito aponta que “os ex-diretores praticaram fraudes contábeis relacionadas a operações de risco sacado. Que consistem numa operação na qual a varejista consegue antecipar o pagamento a fornecedores por meio de empréstimo junto aos bancos”, segundo informou a PF.

Manipulação de mercado

A Polícia Federal disse ainda que foram identificadas fraudes envolvendo contratos de verba de propaganda cooperada (VPC), isto é, incentivos comerciais que geralmente são utilizados no setor. No entanto, no caso das Americanas eram contabilizadas VPCs que nunca existiram, conforme apontam as investigações.

São investigados indícios dos crimes de manipulação de mercado, uso de informação privilegiada, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Caso sejam condenados, os suspeitos poderão cumprir pena de até 26 anos de reclusão.

Executivos alvos da PF

Na lista de ex-diretores da Lojas Americanas e B2W Digital, a antiga operação on-line do grupo, há executivos do alto escalão da companhia e outros a eles subordinados, inclusive da área de relações com investidores e do departamento de vendas.

Entre os executivos alvo de mandatos nesta quinta, em suas residências, estão aqueles que eram do núcleo central da empresa, como Miguel Gutierrez (ex-diretor executivo), Anna Saicali, Marcio Cruz Meirelles, José Timotheo Barros e Fabio Abrate. Ainda estão ex- diretores que eram diretamente ligados ao alto escalão, como Carlos Padilha, ex-financeiro da Lojas Americanas, e João Guerra Duarte Neto, que foi diretor de tecnologia e esteve na empresa por 31 anos.

Também estão na lista Luiz Augusto Henriques, ex-diretor executivo da Lojas Americanas, Anna Christina Sotero, ex-diretora comercial da B2W, e Raoni Lapagesse, ex-relações com investidores da B2W.

Outros diretores foco da operação são: Jean Pierre Ferreira, Fabien Picavet, Murilo dos Santos Correa e Maria Christina Do Nascimento.

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Com informações do Valor Econômico