Ex-dono da Qualicorp compra a Amil por R$ 11 bilhões

O empresário José Seripieri Filho, o Junior, que fundou a Qualicorp e a Qsaúde, comprou a operadora de planos de saúde Amil por R$ 11 bilhões, segundo pessoas que acompanham a transação. A Amil pertencia ao UnitedHealth Group (UHG) desde 2012. A Amil vinha sendo disputada também pelo empresário Nelson Tanure, da operadora Alliança, e […]

O empresário José Seripieri Filho, o Junior, que fundou a Qualicorp e a Qsaúde, comprou a operadora de planos de saúde Amil por R$ 11 bilhões, segundo pessoas que acompanham a transação.

A Amil pertencia ao UnitedHealth Group (UHG) desde 2012.

A Amil vinha sendo disputada também pelo empresário Nelson Tanure, da operadora Alliança, e pelo fundo de private equity americano Bain Capital.

Junior pagará R$ 2 bilhões ao UHG e assumirá passivos de cerca de R$ 9 bilhões.

Porém, o valor total pode ser maior por causa de eventuais contenciosos.

Essa foi a estratégia da oferta de Junior, que assume o negócio de “porteira fechada”, mesmo com o risco de enfrentar eventuais gastos maiores no futuro.

Por outro lado, esse também teria sido o motivo pelo qual os americanos da Bain saíram da disputa.

Caso ficassem, as negociações se estenderiam para o próximo ano, algo que o UHG queria evitar.

Procurada, a Amil respondeu que “o UnitedHealth Group Brasil não comenta especulações de mercado”.

A operação precisa ser submetida ao Cade e à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Perdas

A operação brasileira, pela qual a empresa pagou quase R$ 10 bilhões há cerca de 10 anos, é pequena para a gigante americana.

Tanure também teria pedido proteção contra outros contenciosos em sua oferta.

A Amil é a quarta maior operadora do País, atrás de NotreDame Intermédica, Hapvida e Bradesco Saúde, com 6% do mercado, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Ela tem cerca de 5,4 milhões de beneficiários de planos de saúde e dentários, 31 hospitais e 28 clínicas médicas.

Com o negócio, Junior volta ao setor de saúde, no qual fez fortuna.

Conhecido por ter erguido a Qualicorp (cujo controle vendeu em 2019), que se transformou numa gigante dos planos de saúde, Junior terá o desafio de arrumar as contas da Amil, que hoje tem geração de caixa negativa na casa de R$ 2 bilhões.

No ano passado, a Amil faturou pouco mais de R$ 26 bilhões e teve prejuízo de R$ 1,7 bilhão.

Com informações do Estadão Conteúdo.