IF Hoje: Recuperação da China impulsiona commodities e pode gerar nova onda otimista no mercado

Dados da balança comercial chinesa, divulgados na madrugada de hoje, indicaram superávit de US$ 88,19 bilhões em março, bem acima do esperado

Após dois dias de otimismo e ganhos firmes, os mercados brasileiros deverão reagir positivamente aos dados divulgados na madrugada desta quinta-feira sobre a balança comercial da China. A recuperação da China está acontecendo antes e mais intensamente do que se previa, o que dá um contrapeso à economia mundial.

A balança comercial da China mostrou superávit de US$ 88,19 bilhões em março. Isso é mais que o dobro do esperado pelos economistas ouvidos pelo The Wall Street Journal, que apontavam para US$ 41 bilhões.

As exportações cresceram 14,8% na base anual, quando as previsões eram de queda de 7%, após o recuo de 6,8% no primeiro bimestre do ano. Já as importações caíram 1,4%, bem menos do que as estimativas de queda de 5%, após o tombo de 10,2% (janeiro-fevereiro).

Em resumo, a recuperação da China impulsiona commodities e pode gerar nova onda otimista no mercado nesta quinta-feira.

Inflação e Lula na China

O investidor também acompanha hoje os dados de inflação na Alemanha, de olho no PIB do Reino Unido e os números de inflação ao produtor (IPP) nos Estados Unidos.

Por aqui, os fatos políticos podem fazer maior peso no Ibovespa e nos juros futuros. O primeiro dia da viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China foi marcado por críticas veladas aos Estados Unidos. Em Xangai, o brasileiro discursou contra o uso do dólar como moeda global e visitou a Huawei, empresa considerada inimiga pelos americanos e acusada por Washington de permitir espionagem chinesa em seus aparelhos e sistemas de telecomunicações.

Assim, a viagem ao maior parceiro comercial do Brasil foi até o momento como música de Lula a Pequim: o presidente falou de dois pontos caros aos chineses e não entrou em rota de colisão com a China. Lula evitou até agora temas como democracia, direitos humanos, a tensão global ou o mais delicado dos assuntos para a China: a situação de Taiwan.

Lula espera voltar para o Brasil com a bagagem cheia de acordos e promessas de investimentos.

Ainda em política, o mercado aguarda mais informações sobre o projeto de taxação de mercadorias até US$ 50, sobre o arcabouço fiscal, superbloco de Arthur Lira na Câmara e os resultados dos encontros de Lula na China, que pode trazer uma agenda positiva e manter os indicadores em alta e dólar em queda.

Agenda do dia

Durante a madrugada a China reportou sua balança comercial de março.

Reino Unido divulga o resultado do PIB de fevereiro, além dos dados de produção do setor da construção de fevereiro e anual, produção industrial de fevereiro e anual, índice do setor de serviços e balança comercial.

Alemanha divulga inflação ao consumidor (IPC) de março e do acumulado de 12 meses, com projeções de 0,8% em março e 7,4% no ano, uma desaceleração diante dos 8,4% acumulados até fevereiro.

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Portugal também reporta o IPC de março.

Estados Unidos tem inflação ao produtor (IPP) de março, anual e seus respectivos núcleos.

Cingapura vai reportar o Produto interno bruto referente ao 1º trimestre de 2023 e do acumulado de 12 meses. As projeções são de queda de 0,2% no trimestre e elevação de 0,6% no ano.

Mercado ontem

A moeda americana fechou em queda de 1,29%, negociada na faixa de R$ 4,9421. Um pouco antes, atingiu as mínimas do dia e também do governo Lula 3, a R$ 4,92. A moeda americana não fechava abaixo dos R$ 5 desde 9 de junho de 2022, há 10 meses.

Já o Ibovespa fechou em alta de 0,64%, aos 106.890 pontos, perdendo a marca dos 107 mil pontos somente no ajuste pós fechamento.

A inflação abaixo do esperado nos Estados Unidos deu sinais de que o pior já passou.

Ainda assim, os dados permanecem acima da meta a ser perseguida pela autoridade monetária americana, o que pode justificar ao menos mais uma alta de juros à frente.

Por aqui, a melhora recente no ambiente interno devolve a confiança do investidor em relação aos ativos de risco, com sinais de corte antecipado da Selic e estabilidade da dívida federal no longo prazo