Light (LIGT3) diz ser alvo de rumores e que situação financeira ‘delicada’ não era segredo

Ao pedir para barrar o vencimento antecipado de dívidas, a companhia indica que o efeito cascata de cobranças poderia gerar prejuízos incalculáveis

No pedido formulado à Justiça para a suspensão de dívidas, a Light (LIGT3) diz que sua situação financeira “delicada” já não era segredo para o mercado, mas que o “reconhecimento da seriedade e solidez” sempre foi suficiente para acalmar seus credores. A companhia afirma que, no entanto, vem sendo alvo de “rumores de mercado” desde o começo deste ano, “que nada contribuem para a situação da empresa”.

Os advogados citam a publicação de reportagens sobre a contratação da consultoria Laplace e o rebaixamento do rating de crédito pela Fitch que ocorreu em seguida. Eles alegam que as reavaliações de rating costumam ser realizadas após a ocorrência de eventos concretos, mas que não foi isso o que ocorreu.

“Não é preciso muito para perceber que o rebaixamento representou medida atípica, precipitada e contrária ao próprio modus operandi do mercado, sem negar, de todo modo, as dificuldades que a Light — como qualquer outra concessionária — sofre nas fronteiras fluminenses”, diz um trecho do pedido feito à Justiça.

O rebaixamento, segundo a companhia, tornou o cenário ainda mais desafiador e fez com que credores como o FI-FGTS iniciassem medidas para acelerar o vencimento de dívidas. A Light acabou pagando antecipadamente antes que isso acontecesse para evitar a antecipação de outras dívidas.

‘Prejuízos incalculáveis à companhia e aos credores’

A Light alegou ainda à Justiça que o efeito cascata decorrente do eventual vencimento antecipado de suas dívidas poderia gerar prejuízos incalculáveis tanto para a empresa quanto para os credores. Em pedido de tutelar cautelar apresentado ontem, os advogados da companhia afirmam que a medida foi tomada para garantir “a higidez do interesse público”.

A Light anunciou que apresentou uma ação para tentar barrar o vencimento antecipado de dívidas e para negociar coletivamente com os credores uma readequação de prazos.

A companhia teria que pagar no próximo dia 15 de abril cerca de R$ 400 milhões a donos de debêntures e sinalizou há alguns dias aos credores que preferiria não desembolsar o valor para preservar o caixa, conforme apurou o Valor.

No documento apresentado à Justiça, a companhia defende que eu seus 120 anos de atuação sempre cumpriu com suas obrigações financeiras ao mesmo tempo que garantiu a prestação do serviço público e alega que a piora em seus resultados financeiros “acompanha o agravamento do notório e peculiar contexto de segurança pública” do Rio de Janeiro.

“Desconsiderar as particularidades do Rio de Janeiro significa fechar os olhos para a realidade suportada pela população fluminense e superada pelo Grupo Light diariamente para a prestação do serviço de forma adequada”, diz um trecho do pedido.

Os advogados citam ainda a existência de fatores prestes a ocorrer, como a revisão extraordinária das tarifas que sofreram perdas, além da questão referente ao PIS/Cofins.

Com a tutela de urgência, a Light pede que sejam suspensas a exigibilidade das obrigações financeiras, pelo menos até que se aguarde o julgamento do primeiro grau da ação principal, a suspensão de efeitos de um eventual vencimento antecipado, a suspensão de efeitos de liquidação de operação com derivativos e de retenção e pagamentos por meio de contas vinculadas a garantias fiduciárias.

Mesmo com os problemas, as ações da Light subiam na sessão desta terça-feira (11) na B3. Os papéis avançavam 2,99%, cotados a R$ 2,07. No ano, no entanto, as ações acumulam uma desvalorização de mais de 50%.

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