Como ficou a inflação em Porto Alegre após as enchentes no Rio Grande do Sul?

A maior parte do período de coleta de preços do IPCA-15 se deu já com efeito das chuvas no estado

O IPCA-15 subiu 0,86% em maio na região metropolitana de Porto Alegre, após recuo de 0,01% em abril, informou nesta terça-feira (28). Em maio de 2023, a prévia da inflação tinha subido 0,28% na capital gaúcha.

A maior parte do período de coleta de preços do IPCA-15 – que foi de 16 de abril a 15 de maio – se deu já com efeito das enchentes no Rio Grande do Sul. As fortes chuvas que atingiram a região começaram em 27 de abril e ficaram mais intensas no início de maio.

Em 12 meses, o IPCA-15 em Porto Alegre passou de 2,85% em abril para 3,44% em maio.

Leitura presencial afetada

Em nota, o IBGE informou que, em razão da situação de calamidade pública na região metropolitana de Porto Alegre, cerca de 30% da coleta de dados do IPCA-15 na área foi realizada de modo remoto, por telefone ou internet, em vez do modo presencial.

A coleta remota de preços foi intensificada, segundo o IBGE, a partir de 6 de maio, quando cerca de 70% dos preços já tinham sido coletados. Alguns itens, no entanto, não puderam ser coletados, como foi o caso de hortaliças e verduras.

Nesses casos, foi realizada a chamada imputação dos dados, como previsto na metodologia da pesquisa. Essa imputação de dados é uma técnica estatística que prevê a atribuição de valores quando não há observação desses dados.

Por exemplo, se não houve coleta de alface, a variação do mês de maio no IPCA-15 foi substituída por uma informação, de acordo com histórico de dados.

Revisão de dados

Outras pesquisas conjunturais do IBGE – como a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) e a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF) – têm metodologias que já preveem revisões dos dados. Com inclusão de novas informações posteriormente, mas este não é o caso dos indicadores de inflação, como o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e o IPCA-15.

No comunicado sobre a influência da tragédia no Rio Grande do Sul sobre o IPCA-15, o IBGE destacou que “os índices de preços utilizados como indexadores de inflação na correção monetária de contratos públicos e privados não são revisados, para garantir a segurança jurídica dos contratos”, como no caso do IPCA e do IPCA-15.

A região metropolitana de Porto Alegre respondia, em abril, por 8,61% do cálculo do IPCA-15.

Com informações do Valor Econômico