Mercado hoje: Ibovespa fecha em queda com questão fiscal no radar, dólar sobe a R$ 5,40

No Egito, Lula voltou a criticar reações do mercado à proposta de tirar quase R$ 200 bi da regra fiscal. Saída de Mantega acalmou ânimos

A Bolsa brasileira estendeu nesta quinta-feira (17) o estresse observado na véspera. O Ibovespa teve nova sessão de queda, refletindo as incertezas fiscais após a apresentação da PEC da Transição no Senado. No entanto, o índice se afastou das mínimas intradiárias após entrevista de Aloizio Mercadante (PT) sinalizar que existe discussão sobre corte de despesas no governo eleito e o ex-ministro Guido Mantega deixar a equipe de transição.

Após ajustes, o referencial local registrou perdas de 0,49%, aos 109.702 pontos. Na mínima intradiária, tocou os 107.245 pontos, e, na máxima, os 110.242 pontos.

O mercado acionário local não compactuou com o texto da PEC da Transição, apresentado na noite de quarta-feira (16) no Senado. A proposta confirmou as expectativas mais negativas dos agentes financeiros, com os recursos fora do teto de gastos podendo se aproximar dos R$ 200 bilhões.

Em Nova York, o S&P 500 recuou 0,31%, aos 3.946 pontos, Dow Jones registrou leve queda de 0,02%, aos 33.546 pontos e Nasdaq cedeu 0,35%, aos 11.144 pontos.

Dólar fecha em alta

O mau humor do mercado de câmbio doméstico, que foi observado principalmente na abertura dos negócios, quando o dólar subiu a R$ 5,5298, no maior nível intradiário desde janeiro, se esvaiu ao longo da tarde.

No fim do pregão, a moeda fechou em alta de 0,37% no mercado à vista, negociada a R$ 5,4006. Com a sensibilidade dos agentes financeiros a qualquer notícia vinda de Brasília, declarações do ex-ministro Aloizio Mercadante sobre possibilidade de corte de despesas ajudaram a apoiar o real.

Mais cedo, a moeda americana havia superado a marca de R$ 5,50. Entenda o impacto da transição de governo sobre o dólar.

O que traz a PEC da Transição?

O texto da PEC da Transição, divulgado ontem após o fechamento dos mercados, prevê gastos extras de R$ 198 bilhões em 2023 e sugere que o Auxílio Brasil seja retirado permanentemente da regra do teto de gastos.

Ficarão fora do Teto de Gastos por tempo indeterminado os gastos com o futuro Bolsa Família já previstos na proposta do orçamento de 2023 (R$ 105 bilhões), as despesas com o adicional de R$ 200 e de R$ 150 por criança de até 6 anos. Desta forma, o futuro Bolsa Família terá um volume de cerca de R$ 175 bilhões.

A PEC também concede uma autorização para destinar até R$ 22 bilhões de excesso de arrecadação em 2022 para investimentos. Estes serão limitados a 6,5% do excesso de arrecadação de receitas correntes do exercício de 2021. Estes gastos ficarão fora do Teto e não serão considerados, para fins de verificação do cumprimento da meta de resultado primário.

“Caso se confirme toda esta gastança, o déficit primário ficará em torno de 1,6% do PIB no próximo ano, enquanto a Dívida Bruta atingirá algo ao redor de 85%, contra 76,4% em 2022. A equipe de transição na área econômica não teve participação na elaboração desta PEC que deverá ser negociada com o Senado e Câmara Federal. Provavelmente, vários pontos desta proposta serão alterados”, afirmam os profissionais da LCA Consultores.