Sistema financeiro possui exposição de meio bilhão de reais a Americanas e fornecedores, diz BC

Crise da varejista teve impacto em mais de 30 mil empresas do sistema financeiro com exposição de R$ 492 milhões apenas a fornecedores

O Banco Central (BC) divulgou há pouco um estudo sobre o impacto da crise das Americanas no sistema financeiro. A autoridade monetária identificou 30.540 empresas com fluxos diretos com a Americanas, o que equivale a uma exposição de R$ 13 milhões à varejista e de R$ 492 milhões aos fornecedores.

A análise foi publicada no Relatório de Estabilidade Financeira (REF), produzido pelo Banco Central. Segundo a autoridade monetária, entre as empresas com 50% de dependência da varejista, a maioria são microempresas, “resultando em um número relativamente baixo de empregados”.

Qual o impacto da crise de Americanas no sistema financeiro?

A conclusão da autoridade monetária é que “apesar de os valores de exposições brutas serem elevados, o impacto sobre o IB [índice de Basileia] é pequeno e não provoca desenquadramentos de bancos individuais”.

Segundo o BC, grande parte da exposição bruta das instituições financeiras ao grupo Americanas é direta. Do valor de exposição de R$ 492 milhões aos fornecedores, 1.928 companhias têm parcela de 25% de suas receitas dependentes da varejista.

“O baixo impacto sobre o IB do default teórico da Americanas é explicado pela baixa exposição líquida [exposições brutas menos provisões] à empresa em dezembro de 2022, em razão do volume de provisões constituídos devido ao pedido de recuperação judicial. Ademais, os bancos possuem uma carteira de crédito bem diversificada, sendo que o montante em risco não representa parcela significativa da carteira de crédito das instituições”, destacou o BC.