Plano econômico recusado foi peça-chave para a queda de Liz Truss; entenda

Seu plano para a economia previa um corte amplo e severo de impostos no país

A primeira-ministra do Reino Unido, Liz Truss, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (20). Após conversa com um dos responsáveis pelas eleições internas do Partido Conservador, Truss fez um discurso do lado de fora da sede do governo e anunciou sua saída.

O governo dela foi conturbado e repleto de dificuldades. Sua instabilidade, em grande parte, foi fruto dos diversos problemas econômicos gerados pelo planejamento apresentado pela premiê para um corte amplo e severo de impostos no país e, em paralelo, um empréstimo bilionário para cobrir o rombo nas contas públicas.

Morte da Rainha Elizabeth II

Apenas dois dias depois de passar pela cerimônia de posse ao lado da Rainha Elizabeth II, a monarca morreu e o país viveu um longo período de 10 dias de luto.

Público vai às ruas de Ballater, na Escócia, acompanhar passagem do caixão da rainha Elizabeth 2ª
Público vai às ruas de Ballater, na Escócia, acompanhar passagem do caixão da rainha Elizabeth 2ª. Foto: Andrew Milligan/AP

Novo plano econômico

Após esse período, o à época ministro das Finanças de Truss, Kwasi Kwarteng, apresentou um “mini-orçamento” que incluia 45 bilhões de libras (R$ 265 bilhões) de cortes de impostos não financiados e enormes aumentos nos empréstimos do governo, enviando libras esterlinas e títulos do governo britânico em queda livre.

Por conta disso, o Banco da Inglaterra procurou conter a tempestade nos mercados de títulos da Grã-Bretanha, dizendo que compraria o máximo de dívidas do governo necessárias para restaurar a ordem.

Confiança no plano

Mesmo com esse contexto, Truss disse estar preparada para tomar decisões controversas e difíceis para fazer a economia crescer. Entretanto, volta atrás quando encara a oposição de muitos de seus próprios legisladores do Partido Conservador.

Apesar da repressão, o governo disse que não iria reverter seus grandes cortes de impostos ou reduzirá os gastos públicos.

Renúncia de ministros

A situação levou à renúncia do então ministro das Finanças e a convocação de Jeremy Hunt para substituí-lo. O novo ministro da Finanças decidiu refazer por completo o plano econômico.

Na ocasião Truss também anuncia que o imposto corporativo aumentará para 25%, revertendo um plano anterior de congelá-lo em 19%, e diz que os gastos públicos terão que crescer menos rapidamente do que o planejado anteriormente.

Menos de uma semana depois, Truss perde a ministra do Interior, Suella Braverman, que renunciou após quebrar as regras ao enviar um documento oficial de seu e-mail pessoal.