PIB da zona do euro cresce 1,9% no 4º tri, mostra leitura preliminar

Indicador veio acima do consenso de projetado por economistas consultados pelo 'The Wall Street Journal'

A economia da zona do euro expandiu-se de forma inesperada no quarto trimestre de 2022, desacelerando em relação ao início do ano, mas sem entrar na recessão esperada para esse inverno, à medida que a região evitou uma crise energética em grande escala.

O Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro teve alta de 1,9% em base anual, no último trimestre de 2022 na leitura preliminar.

Em dezembro, o PIB da zona do euro havia registrado aceleração de 2,3% no terceiro trimestre em base anual.

O dado veio acima do consenso projetado por economistas consultados pelo “The Wall Street Journal”, de alta de 1,7%.

No quarto trimestre, o PIB teve alta de 0,1%, desacelerando em relação à expansão de 0,3% registrada no terceiro trimestre, segundo dados preliminares da agência de estatísticas da União Europeia, Eurostat, nesta terça-feira. A economia da região expandiu 3,5% em todo o ano de 2022 em comparação com o ano anterior, afirmou.

A leitura do quarto trimestre superou as previsões dos economistas de uma contração de 0,1% em uma pesquisa do The Wall Street Journal. O desempenho entre os estados membros da zona do euro divergiu ao longo do trimestre. A Alemanha e a Itália, cujas economias são mais dependentes da indústria e, portanto, mais afetadas pelos altos preços da energia, enfrentaram uma pequena desaceleração. Enquanto isso, a França e a Espanha tiveram alta.

O desempenho acima do esperado da zona do euro no quarto trimestre, se confirmado, a coloca no caminho para evitar uma recessão neste inverno, definida como dois trimestres consecutivos de queda na produção. As preocupações cada vez menores de uma crise energética devido a um inverno ameno explicam parte da resiliência da atividade no final do ano, apontam os economistas, assim como o aumento da ação dos governos para proteger as famílias e as empresas dos preços elevados da energia.

No entanto, muitas economias da zona do euro, como Alemanha, França ou Espanha, registraram uma queda no consumo doméstico no último trimestre de 2022, sinalizando que a demanda doméstica foi afetada.

Ainda assim, a magnitude de qualquer desaceleração econômica à frente provavelmente será menor do que o esperado apenas alguns meses atrás, quando a disparada dos preços da energia aumentou os temores de um possível racionamento.

Mesmo que a zona do euro evite uma desaceleração neste inverno, a economia deve crescer apenas ligeiramente em 2023, já que os efeitos da inflação ainda alta e do rápido aumento das taxas de juros continuam se manifestando, dizem os economistas.