Itaú: Inflação em 12 meses deve desacelerar para 3,7% antes de subir

Banco destaca tendência de baixa do IPCA-15, mas mantém previsão de 5,8% para inflação em 2023; veja a má e a boa notícia do resultado

A Faria Lima amanheceu nesta quinta-feira (25) surpreendida pelo resultado da inflação no Brasil, medida pelo IPCA-15, que veio melhor que o esperado segundo economistas. A inflação avançou 0,51% em maio, abaixo da mediana de 0,64% estimada pelo mercado. O Itaú afirma que a inflação em 12 meses deve desacelerar para 3,7% antes de subir novamente no segundo semestre.

O resultado abaixo do esperado para o IPCA-15 foi puxado, segundo análise de especialistas, pela queda no preço da passagem aérea. O recuo do item na cesta foi de 17,26%. Para economistas ouvidos pela Inteligência Financeira, a inflação continua em tendência de queda esperada no primeiro semestre deste ano. Mas há uma má notícia: alimentos e roupas estão mais caros — e a inflação nestes setores é persistente.

IPCA-15 de maio corrobora com cenário de desinflação, diz Itaú

O indicador IPCA-15 funciona como uma prévia do IPCA, medido pelo governo como referência para o cumprimento da meta de inflação.

As analistas Julia Gottlieb, Julia Passabom e Luciana Rabelo, do Itaú afirmam em relatório que “o IPCA-15 de maio corrobora o cenário de desinflação em curso, embora as medidas de núcleo ainda sigam rodando acima do compatível com o cumprimento da meta de inflação”.

Nas próximas leituras, diz o Itaú, o movimento de queda deve continuar nos próximos meses “para ao redor de 3,7%”, influenciado pelo efeito base dos cortes de impostos no ano passado e pelos cortes recentes de combustíveis na refinaria. O banco projeta, até o final de 2023, um IPCA de 5,8% e de 4,5% em 2024.

A boa e a má notícia, conforme a Galapagos

No mês de maio, a queda dos combustíveis acarretou deflação suficiente para trazer um IPCA-15 menor que o esperado pelo mercado.

A economista-chefe da Galapagos Capital, Tatiane Pinheiro, concorda que o efeito positivo sobre a inflação é oriundo da deflação do terceiro trimestre de 2022, quando o governo Bolsonaro promoveu a desoneração do PIS/Cofins dos combustíveis e concedeu crédito consignado pelo Auxílio Brasil.

“No mês, além dos efeitos já esperados de reajuste de remédios, a sazonalidade está presente com inflação de alimentos e inflação de vestuário”, afirma a economista da Galapagos. Uma parte da pressão inflacionária sobre o índice veio do reajuste de produtos farmacêuticos, de 2,68%, ante 1,72% no último IPCA-15.

A má notícia, afirma a economista, é que ambas categorias registraram inflação um pouco além da sazonalidade. O setor de Alimentação e bebidas registrou alta do IPCA-15 em 0,94%, enquanto a pressão A alimentação no domicílio saiu de uma deflação de -0,15% para uma inflação de 1,02%.

“A boa notícia é que o desalinhamento de preços entre serviços e tradables [produtos comercializados no Brasil e no exterior] está reduzindo. Mantemos nossa expectativa que a deflação de tradables no atacado somada a finalização do realinhamento de preços no varejo irá resultar em inflação bastante baixa em julho e agosto”, afirma Tatiane.

Para política monetária, aponta ela, o resultado do IPCA-15 indica um caminho de manutenção da estratégia de juros altos pelo BC “por mais algum tempo”.

No ano, a inflação acumula alta de 3,12% e, nos últimos 12 meses, de 4,07%.

Resultado traz “otimismo” sobre inflação, diz Warren Rena

No mesmo sentido, itens de artigos de residência e energia ajudaram na descompressão. Por outro lado, a pressão altista no mês decorreu de alimentação no domicílio (1,02%, ante -0,15%) e do reajuste de produtos farmacêuticos ( 2,68, ante 1,72%).

Para a estrategista de inflação e sócia da Warren Rena, Andrea Ângelo, o IPCA-15 melhor que o esperado mostra melhora na composição da inflação. A surpresa de viés baixista, indica a economista, veio da melhoria na a dinâmica de desaceleração em serviços subjacentes e intensivo em trabalho.

“O número de hoje traz de volta o otimismo visto no IPCA de março. A desaceleração da inflação subjacente pode voltar para a rota de descompressão e encerrar o ano abaixo de 6%”, prevê Andrea.

A Warren Rena destaca que a queda na inflação de passagens aéreas somada à desinflação de aluguéis e condomínios contribuíram com menos 8 bps para o IPCA de maio.

Por enquanto, para a previsão da corretora para o IPCA de junho é de 0,23%. A estimativa para o índice em 2023 segue em 5,2% e de 4,2% para 2024.