Índia lança foguete rumo à Lua: que outros países já conseguiram?

Espaçonave deve embarcar em uma jornada com duração de pouco mais de um mês antes de pousar na superfície da lua no fim de agosto

Uma espaçonave indiana partiu rumo ao lado mais distante da Lua nesta sexta-feira, 14. A missão é um novo esforço do país asiático – que fracassou há quase quatro anos ao tentar pousar um rover na superfície lunar – para tentar alcançar o satélite, afirmou a agência espacial indiana.

Chandrayaan-3, palavra para “nave lunar” em sânscrito, decolou de uma plataforma de lançamento em Sriharikota, no sul da Índia, com um orbitador, um módulo de pouso e um rover, em uma demonstração da tecnologia espacial emergente da Índia. A espaçonave deve embarcar em uma jornada com duração de pouco mais de um mês antes de pousar na superfície da lua no fim de agosto.

Aplausos varreram a zona de controle da missão no Satish Dhawan Space Center, onde os engenheiros e cientistas da Organização de Pesquisa Espacial Indiana comemoraram enquanto monitoravam o lançamento da espaçonave. Do lado de fora do centro, milhares de indianos celebraram juntos, agitando a bandeira nacional, enquanto observavam a espaçonave subir ao céu.

“Parabéns Índia. Chandrayaan-3 iniciou sua jornada em direção à Lua”, disse o diretor da ISRO, Sreedhara Panicker Somanath, logo após o lançamento. Um pouso bem-sucedido tornaria a Índia o quarto país -depois dos Estados Unidos, União Soviética e China – a alcançar o feito.

Coleta de dados na Lua

O módulo de pouso e o rover de seis rodas do Chandrayaan-3 estão configurados com cargas úteis capazes de fornecer dados à comunidade científica sobre as propriedades do solo e rochas lunares, incluindo composições químicas e elementares, disse o Jitendra Singh, ministro júnior de Ciência e Tecnologia no País.

A tentativa anterior da Índia de pousar uma espaçonave robótica perto do polo sul pouco explorado da Lua terminou em fracasso em 2019.

Ela entrou na órbita lunar, mas perdeu contato com seu módulo de pouso, que caiu ao fazer sua descida final para implantar um rover em busca de sinais de água . De acordo com um relatório de análise de falha enviado ao ISRO, o problema foi causado por uma falha de software.

A missão de US$ 140 milhões em 2019 pretendia estudar crateras lunares permanentemente sombreadas que se acredita conterem depósitos de água e foram confirmadas pela missão Chandrayaan-1, que aconteceu em 2008.

Somanath disse que o principal objetivo da missão desta vez é um pouso seguro e suave na Lua. Ele disse que a agência espacial indiana aperfeiçoou a arte de alcançar a Lua, “mas é no pouso que a agência está trabalhando”.

Corrida pelo espaço

Vários países e empresas privadas estão em uma corrida para pousar com sucesso uma espaçonave na superfície lunar. Em abril, uma espaçonave da empresa japonesa SpaceX caiu ao tentar pousar na Lua e aparentemente foi destruída com o impacto, já que a Agência Aeroespacial dos Estados Unidos (Nasa) encontrou posteriormente o que seriam os destroços do equipamento.

Com a Índia com armas nucleares emergindo como a quinta maior economia do mundo, o governo nacionalista do primeiro-ministro Narendra Modi está ansioso para mostrar as proezas do País em segurança e tecnologia.

“Chandrayaan-3 escreve um novo capítulo na odisséia espacial da Índia. Ele voa alto, elevando os sonhos e ambições de todos os indianos”, disse Modi em um Tweet após o lançamento.

A Índia está usando pesquisas do espaço e de outros lugares para resolver problemas em casa. Seu programa espacial já ajudou a desenvolver tecnologias de satélite, comunicação e sensoriamento remoto e tem sido usado para medir os níveis de água subterrânea e prever o clima no País, que é propenso a ciclos de seca e inundação.

“Esta é uma missão muito crítica”, disse Pallava Bagla, escritora de ciência e coautora de livros sobre a exploração espacial da Índia, acrescentando que o País precisará de tecnologia de pouso suave se quiser tentar mais missões à Lua.

Relacionamento com os Estados Unidos

A Índia também está ansiosa por sua primeira missão à Estação Espacial Internacional no próximo ano, uma colaboração com os Estados Unidos que faz parte dos acordos entre Modi e o presidente dos EUA, Joe Biden, feitos na Casa Branca no mês passado.

Esta visita única de um astronauta indiano à Estação Espacial Internacional não prejudicará o próprio programa da Índia, que visa lançar um astronauta indiano de solo indiano em um foguete indiano no final de 2024, disse Bagla.

Como parte de seu próprio programa espacial, ativo desde a década de 1960, a Índia lançou satélites para si e para outros países, e colocou um com sucesso em órbita ao redor de Marte em 2014. Singh disse que, com base na atual trajetória de crescimento, o setor espacial da Índia pode ser uma economia de trilhões de dólares nos próximos anos.

Até abril deste ano, a Índia lançou 424 satélites para 34 países, incluindo Israel, Emirados Árabes Unidos, Cazaquistão, Holanda, Bélgica e Alemanha. A ISRO ganhou aproximadamente 1,1 bilhão de rúpias (US$ 13,4 milhões) nos últimos cinco anos com o lançamento de satélites estrangeiros, disse o ministro ao Parlamento da Índia em dezembro de 2022.

Com informações do Estadão Conteúdo