Em Davos, Haddad busca discurso conciliador com banqueiros

Ministro disse aos presentes que vai dar celeridade à reforma tributária e defendeu a proposta de Bernard Appy, que faz parte de sua equipe econômica

Em um almoço privado com empresários e investidores promovido pelo Itaú em Davos, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fez um discurso tranquilizador para o mercado, segundo apurou o Valor.

Ele disse aos presentes que vai dar celeridade à reforma tributária e defendeu a proposta de Bernard Appy, que faz parte de sua equipe econômica.

O almoço contou com a presença de cerca de 50 pessoas. Entre os participantes, estavam executivos de Bradesco, Itaú, Safra, McKinsey, Telefônica, além de José Auriemo Neto, da JHSF, e Nizan Guanaes.

‘Estabilidade e previsibilidade’

O mercado financeiro já entendeu que o novo governo Lula será de estabilidade e previsibilidade, disse Haddad, em painel sobre o Brasil no Fórum Econômico Mundial, em Davos, nesta terça-feira.

Durante sua fala, Haddad reforçou que seu plano é zerar o déficit do governo em dois anos e que a reforma tributária é importante. Mais cedo, a jornalistas, o ministro disse que os detalhes do novo arcabouço fiscal, que vai substituir o teto de gastos, deverão ser definidos até abril.

Em uma parte mais política do discurso, Haddad disse que “não há como negar que a extrema direita se organizou no Brasil”. Antes dessa fala, o petista havia comentado que tem recebido apoio da comunidade internacional em relação aos atos golpistas do dia 8 de janeiro. “Eles ficaram muito chocados, mas entendem que trabalhamos para restabelecer a democracia.”

De acordo com Haddad, Lula vai defender no G20 um discurso de paz, combate à desigualdade e à fome, além da estabilidade da democracia e a pauta ambiental.

Dividindo o painel do começo da tarde — quatro horas à frente de Brasília — com o ministro da Fazenda, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, disse considerar emblemática a presença dela e de Haddad em Davos.

Segundo Marina, a candidatura do Brasil para sediar a COP30 em 2025 em Belém mostra o comprometimento do governo com a agenda ambiental, que ela voltou a lembrar que estava desmontada quando Lula assumiu.

Com reportagem de Mônica Scaramuzzo, do Valor Econômico, de Davos, Suíça.

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