Chambriard: Petrobras (PETR4) tem novas fronteiras a perseguir, como Margem Equatorial

Nova presidente da Petrobras acredita que é preciso tomar cuidado com a reposição de reservas da companhia, uma vez que o pico de produção do pré-sal 'é logo ali'

A nova presidente da Petrobras (PETR4), Magda Chamabriard, afirmou que liderar a Petrobras é uma “prova de confiança do governo” nela. A executiva lembrou que começou a carreira na estatal e disse ser “uma honra” assumir a empresa.

Na sua primeira entrevista coletiva após assumir o comando da petroleira, na semana passada, Magda afirmou que foi testemunha da evolução da Petrobras nas últimas décadas, recordando que ela trabalhou na companhia no passado, quando produzia 185 mil barris de petróleo por dia.

Chambriard também afirmou que a empresa tem novas fronteiras importantes a perseguir, como a Margem Equatorial e a Bacia de Pelotas. Segundo ela, em sua primeira entrevista coletiva após assumir a empresa, a semana passada, é preciso tomar cuidado com a reposição de reservas da companhia, uma vez que o pico de produção do pré-sal “é logo ali”.

A executiva salientou que o desafio do momento é o da garantia da segurança energética, ao mesmo tempo que é preciso lidar com a transição energética. “O esforço da empresa tem que ser acelerado”, disse ela.

Lula pediu gestão com ‘respeito à sociedade’

Para Chambriard, a empresa precisa aumentar a “disposição” dos produtos da estatal no mercado. “Temos que garantir uma empresa que tenha perenidade e continue com altas produções”, acrescentou.

A nova presidente da Petrobras também afirmou que a demanda recebida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando foi convidada a presidir a Petrobras, foi de “gerir a empresa com respeito à sociedade”.

Ao ser questionada sobre eventual pedido de aceleração de investimentos da estatal, especialmente em projetos que deram prejuízo à empresa, como o refino, ela replicou fala de Lula segundo a qual ele tem “grande carinho pela Petrobras”, que a sociedade “ama a Petrobras” e que ela gerisse a empresa com respeito à sociedade brasileira.

“A encomenda é essa: respeito à sociedade”, disse Chambriard nesta segunda-feira (27), na primeira entrevista coletiva após assumir a empresa. Ela reiterou que o foco dela é zelar para que a produtividade dos ativos “persista em crescimento” e destacou ser essencial continuar explorando petróleo em novas fronteiras especialmente na Margem Equatorial.

Margem Equatorial

Chambriard frisou que o litoral do Amapá, onde se localiza a área na qual a Petrobras espera por licença ambiental para perfuração de um poço, “está inserido neste contexto”.

A executiva disse também que a obrigação dela na companhia é reforçar as cadeias nacionais da indústria.

A nova presidente da Petrobras disse que os técnicos da empresa vão avaliar e afirmar se a recompra da refinaria de Mataripe é ou não um bom negócio para a estatal. “Refino nos interessa enquanto agregador de valor”. A empresa negocia com o Mubadala Capital o reingresso na refinaria, vendida em 2021.

Caso Unigel

Chambriard disse que o caso do contrato com a petroquímica Unigel está sendo estudado e que a companhia vai responder a eventuais dúvidas que o Tribunal de Contas da União (TCU) tenha sobre o tema. “Não vou passar por cima de uma instituição respeitada como o TCU”.

Ela frisou que “ninguém aqui quer rasgar dinheiro” e que a empresa seguirá com o contrato com a Unigel caso o negócio dê lucro para a empresa. “Precisamos explicar para órgãos de controle que fertilizantes são um bom negócio”, disse a executiva.

Chambriard afirmou também que a empresa não pode ter “um compliance exagerado” que imponha imobilismo à estatal e que vai discutir projetos e tempestividade de cada um deles.

A Unigel arrendou, no fim de 2019, duas fábricas de fertilizantes da estatal, em Camaçari (BA) e Laranjeiras (SE), que estavam hibernadas porque sua operação era deficitária.

A companhia privada retomou a produção nas duas unidades, mas acabou suspendendo a produção dos insumos no ano passado, sob a justificativa de que a queda dos preços da ureia no mercado internacional, que não foi acompanhada pelo custo do gás natural, inviabilizava economicamente a atividade.

Após meses de negociação, Petrobras e Unigel anunciaram em dezembro que chegaram a um acordo para assinar um contrato de “tolling”, com vigência de 240 dias e pagamento de R$ 759,2 milhões à companhia privada pela prestação de serviços de industrialização, armazenagem, expedição e pós-venda de ureia, amônia e Arla (usado para reduzir emissões de veículos a diesel.

Ainda de acordo com a presidente da Petrobras, a empresa quer ajudar a desenvolver o mercado de gás natural para colocar os produtos da empresa, mas não fará isso a “qualquer preço”, pois “precisamos que dê lucro”. “Se eu precisar baixar um pouco o preço do gás para que depois seja vantajoso para a empresa, vamos fazer”, disse Chambriard.

Com informações do Valor Econômico