Chinesa Evergrande, incorporadora imobiliária mais endividada do mundo, reduz prejuízo líquido; ações voltam ao pregão e caem quase 80%

A repressão da China à alavancagem no setor imobiliário em 2021 prejudicou muitas incorporadoras, que sofreram quedas severas nas vendas de residência e acesso reduzido ao mercado de dívida

A chinesa Evergrande, considerada a incorporadora imobiliária mais endividada do mundo, reduziu significativamente seus prejuízos no primeiro semestre de 2023, principalmente devido à ausência de perdas por deterioração de investimentos. Ainda assim, na volta do papel às negociações na bolsa de Hong Kong, nesta segunda-feira (28), depois de 17 meses de suspensão, a ação da incorporadora recuou quase 80%, com o setor imobiliário chinês ainda como foco de cautela.

O prejuízo líquido durante os seis meses encerrados em junho foi de 33,01 bilhões de yuans (US$ 4,53 bilhões), em comparação com 66,35 bilhões de yuans (US$ 9,1 bilhões) no mesmo período do ano passado, informou a empresa na noite deste domingo, 27.

A receita aumentou para CNY 128,18 bilhões (US$ 17,6 bilhões), em comparação com CNY 89,28 bilhões (US$ 12,2 bilhões) no mesmo período do ano passado, principalmente devido à maior contribuição do negócio de desenvolvimento imobiliário.

As perdas por depreciação de ativos financeiros foram de apenas CNY 643 milhões (US$ 88,2 milhões), em comparação com a perda de CNY 8,19 bilhões (US$ 1,1 bilhão) no primeiro semestre de 2022. As perdas por depreciação de investimentos contabilizados no primeiro semestre de 2023 foram nulas em comparação com CNY 18,03 bilhões (US$ 2,5 bilhões) um ano antes, utilizando o método de equivalência patrimonial.

A repressão da China à alavancagem no setor imobiliário em 2021 prejudicou muitas incorporadoras, que sofreram quedas severas nas vendas de residência e acesso reduzido ao mercado de dívida. A Evergrande passou a dar calote à medida que os seus problemas de fluxo de caixa aumentaram, deixando-a incapaz de pagar construtores e fornecedores.

O passivo total da empresa no final de junho ascendia a 2,39 trilhões de yuans (US$ 328 bilhões), anunciou a empresa, acrescentando que irá acelerar a reestruturação das dívidas offshore e trabalhar para proteger os interesses de longo prazo de vários credores.

No início deste mês, a empresa solicitou a aprovação da Justiça dos Estados Unidos para reestruturar mais de US$ 19 bilhões de suas dívidas offshore, como parte de uma tentativa de avançar nos planos para concluir uma das maiores e mais complexas reestruturações de dívida do mundo.

Com informações da Dow Jones Newswires.