CEO da Amazon (AMZO34) dá ultimato a funcionários que resistem ao modelo híbrido de trabalho

A companhia emprega 1,4 milhão de pessoas em todo o mundo, mas não indica quantas delas trabalham em escritórios

Funcionários da Amazon (AMZO34) têm resistido à política de retorno ao escritório da empresa há meses – e parece que o CEO Andy Jassy já perdeu a paciência.

Durante uma sessão interna de perguntas e respostas gravada no início deste mês de agosto, Jassy disse aos funcionários que já tinha “passado da hora de discordar e se comprometer” com a política, que exige que os funcionários corporativos estejam no escritório três dias por semana.

A frase “discordar e se comprometer” é um dos princípios de liderança da Amazon e era frequentemente usada pelo fundador da empresa e atual presidente executivo, Jeff Bezos.

“Se você não pode discordar e se comprometer, provavelmente não vai dar certo para você na Amazon”, disse Jassy, acrescentando que não era correto que alguns funcionários estivessem no escritório três dias por semana, enquanto outros se recusavam a fazê-lo.

Seus comentários foram relatados primeiramente pelo Business Insider e depois compartilhados pela Amazon.

A atual determinação de comparecimento ao escritório, que foi anunciada em fevereiro e entrou em vigor em maio, representa uma mudança na política anterior da Amazon, que permitia que os líderes determinassem como suas equipes trabalhavam.

No entanto, a empresa disse na terça-feira (29) que rejeita a ideia de que a política anterior deveria ser a norma, e mencionou uma postagem de blog de 2021 em que Jassy observava que a Amazon iria “continuar ajustando” as coisas à medida que mais informações fossem obtidas.

Ao anunciar a política atualizada no início deste ano, Jassy escreveu em um memorando para a equipe que a Amazon tomou sua decisão após observar o que funcionou durante a pandemia e conversar com líderes de outras empresas.

Ele disse que os altos executivos da empresa, conhecidos internamente como o S-team, concluíram que os funcionários tendiam a se envolver mais pessoalmente e colaborar mais facilmente.

No entanto, muitos trabalhadores não foram convencidos.

Em maio, centenas de funcionários da Amazon protestaram contra a nova política durante uma demonstração na hora do almoço na sede da empresa em Seattle. Na época, um canal interno do Slack que defendia o trabalho remoto tinha acumulado 33 mil membros.

Alguns funcionários também têm pressionado a empresa para fornecer dados que sustentem as afirmações de Jassy.

Durante a sessão, Jassy disse que a liderança da empresa analisou os dados disponíveis e, entre outras coisas, afirmou que eles não sentiam que as reuniões eram tão eficazes em casa quanto eram antes.

Ele acrescentou que há muitos cenários em que a empresa tomou algumas de suas maiores decisões sem dados perfeitos, citando exemplos como a decisão da Amazon de seguir com um mercado online para vendedores e a AWS, sua unidade de computação em nuvem.

Em julho, a Amazon também implementou uma política que exige que alguns trabalhadores em escritórios menores se mudem para escritórios principais localizados em cidades maiores, de acordo com vários relatos da mídia.

A Amazon emprega 1,4 milhão de pessoas em todo o mundo, mas não indica quantas delas trabalham em escritórios, em oposição ao trabalho em seus armazéns e outros locais.

Com informações da Associated Press/Estadão Conteúdo