Ações da Tenda (TEND3) podem subir 72% mesmo com resultados modestos no 3º tri, diz XP

BTG, Credit Suisse, Bradesco e Citi também comentam o desempenho esperado para as ações da construtora depois de anunciado o balanço trimestral

Os resultados operacionais da Tenda no terceiro trimestre foram fracos, conforme o esperado, em linha com sua estratégia de redução de volume para focar em margens.

Ainda assim, a perspectiva para as ações da empresa de construção civil é de crescimento robusto, segundo a XP.

A XP tem recomendação neutra para Tenda, com preço-alvo em R$ 11, potencial de alta de 71,6% sobre o fechamento da última sexta-feira.

O analista Ygor Altero diz que os lançamentos de R$ 376 milhões foram 18,9% abaixo das estimativas, com maior seletividade da empresa. As vendas líquidas de R$ 489 milhões foram 8,9% aquém do projetado, afetadas pelo aumento significativo de preços.

Ele afirma que o lado positivo foi o aumento de preço médio por unidade, chegando a R$ 185,5 mil, impulsionado pelos números de setembro. Os distratos também caíram na comparação anual e trimestral, como percentual das vendas brutas.

“Além disso, os repasses aumentaram significativamente, atingindo R$ 546 milhões, o que, em nossa opinião, é um indicativo positivo da redução do nível de queima de caixa da empresa”, comenta.

BTG

A prévia operacional da Tenda no terceiro trimestre foi razoável, com números fracos de vendas e lançamentos, mas bom crescimento nos preços e na velocidade de vendas, diz o BTG Pactual.

Os analistas Gustavo Cambauva, Elvis Credendio e Bruno Tomazetto escrevem o aumento de 20% na comparação anual nos preços de vendas, a R$ 189 mil por unidade, deixaram a velocidade de vendas em 22% no trimestre, o que o banco considera saudável, estável sobre o segundo trimestre.

“A perspectiva de curto prazo deve se manter desafiadora, com margens da Tenda continuando a ficar pressionadas”, comentam. A geração de caixa deve ser fraca, o que vai deixar a alavancagem alta, comentam.

O BTG Pactual tem recomendação de compra para Tenda, com preço-alvo em R$ 4,50.

Casa Verde e Amarela

O BTG diz que as revisões recentes no programa Casa Verde e Amarela (CVA) são um ponto positivo, mas que a Tenda deve segurar lançamentos para não deixar a alavancagem escapar de controle.

O BTG Pactual tem recomendação de compra para Tenda, com preço-alvo em R$ 4,50.

Citi

Os analistas André Mazini, Hugo Grassi Soares e Renata Cabral, do Citi, dizem que “o passo da empresa para ganhos de preço teve uma urgência adicional, já que o aumento dos custos do concreto pode levar as margens a um novo patamar no terceiro trimestre – os preços do concreto da Tenda aumentaram 28% no acumulado do ano”, afirmam.

Eles dizem ainda que, embora reconheçam a necessidade de otimizar as margens, temem que o novo patamar de preço da Tenda possa chegar à faixa de renda da Casa Verde e Amarela com o impulso menos positivo.

Segundo os analistas, a faixa de renda de R$ 3 mil a R$ 4 mil por mês do programa não se beneficiou das recentes rodadas de redução das taxas de hipoteca e, em uma reforma anterior da curva de subsídio, viu as concessões de desconto passarem de R$ 10 mil por unidade em 2020 para R$ 1,7 mil em 2021 e no primeiro semestre de 2022.

O Citi tem recomendação neutra de alto risco para as ações da Tenda, com preço-alvo de R$ 6,5, potencial de alta de 2,5% ante o valor negociado no momento na B3.

Credit Suisse

Os números operacionais fracos da Tenda já eram esperados, diz o Credit Suisse. O banco destaca que a construtura viu evolução nos preços, mostrando que a estratégia de focar em rentabilidade está funcionando.

Os analistas Pedro Hajnal e Vanessa Quiroga escrevem que a companhia já havia indicado que iria reduzir volumes, então a queda nos lançamentos e vendas não deve assustar o mercado.

“No lado positivo, a Tenda está aumentando preços de forma bem-sucedida, o que vemos como positivo mesmo com o impacto negativo na velocidade de vendas”, comentam.

Os analistas do banco afirmam que as margens da construtora devem ficar pressionadas novamente.

Os preços médios da Tenda subiram 5% na comparação com o segundo trimestre, a R$ 186 mil, com preço médio de lançamentos avançando 5%, a R$ 210 mil.

Os lançamentos caíram 41% em um ano, a R$ 376 milhões, enquanto vendas recuaram 36%, a R$ 489 milhões.

O Credit Suisse tem recomendação neutra para Tenda, com preço-alvo em R$ 9, potencial de alta de 40,4% sobre o fechamento da última sexta-feira.

Bradesco BBI

Os analistas Bruno Mendonça e Pedro Lobato do Bradesco BBI, destacam que o processo de reversão de margem provavelmente levará mais do que alguns trimestres e as restrições de caixa provavelmente persistirão, “mas lemos os números operacionais como um sinal de que a administração está adotando uma abordagem cuidadosa nesse processo de reversão, o que vemos como algo positivo”, dizem os analistas.

O Bradesco BBI tem recomendação neutra para Tenda, com preço-alvo de R$ 7, potencial de alta de 9% ante o fechamento anterior na B3.

Comprar ou vender TEND3?

Em resumo:

  • XP: recomendação neutra para Tenda.
  • BTG: recomendação de compra para Tenda, com preço-alvo em R$ 4,50.
  • Citi: recomendação neutra de alto risco para as ações da Tenda.
  • Credit Suisse: recomendação neutra para Tenda.
  • Bradesco BBI: recomendação neutra para Tenda.

A TEND3 obteve 4 recomendações neutras e 1 de compra.

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