Investidor, é hora de olhar o copo meio cheio?

O bom desempenho do principal índice da bolsa está relacionado a diferentes fatores, entre eles, a valorização importante da Petrobras e da Vale, mostra o analista Lucas Queiroz, do Itaú BBA

Essa foi mais uma semana com ações em alta e dólar em queda, assim como as taxas futuras de juros, que propiciaram mais uma pernada de alta nos títulos de renda fixa. A inflação abaixo das expectativas por aqui foi o principal catalisador para o bom humor do mercado. O Ibovespa fechou a semana em alta de quase 4%. Já o dólar caiu ao menor nível em 1 ano.

O bom desempenho do principal índice da bolsa está relacionado a diferentes fatores, entre eles, a valorização importante da Petrobras e da Vale, que têm alta participação no Ibovespa, além do clima positivo causado por programas de incentivo do governo, que impactam as empresas nacionais.

Olhando para a semana, houve notícias que justificam a melhora do ânimo de quem investe.

O IPCA de maio, divulgado na quarta-feira (07/06), veio abaixo da expectativa média do mercado em 0,33%, alcançando 0,23%. Com isso, o acumulado em 12 meses está agora em 3,94%, a primeira leitura abaixo de 4,0% desde novembro de 2020.

“É natural entender o otimismo dos investidores, mas é necessário ir mais a fundo para captar tendências de longo prazo”, ponderou Lucas Queiroz, analista do Itaú BBA, em relatório enviado aos investidores na sexta-feira (9).

Segundo escreveu o analista, desta vez, a surpresa no IPCA veio concentrada em alimentos e gasolina. “A gasolina se beneficiou do comportamento benigno do petróleo neste ano, o que abriu espaço para medidas de corte de preço pela Petrobras. Os alimentos seguem uma tendência própria, ligada a fatores, por exemplo, como o clima. Em suma, ambas não são boas métricas a serem analisadas quando queremos identificar os efeitos da política monetária.”

Preços administrados vs. Preços livres

O analista do Itaú BBA fez uma análise separando o índice de inflação medido pelo IPCA entre os preços administrados (aqueles com reajustes definidos por contratos ou regulados pelo setor público) e os preços livres (que têm maior sensibilidade ao equilíbrio entre oferta e demanda). A conclusão foi que o IPCA em patamar comprimido é fruto de preços administrados que acumulam queda de 0,91% nos últimos 12 meses ao passo que os livres, que representam cerca de 75% do índice, oscilaram 5,70% no mesmo período.

Portanto, há ainda mais motivos para dúvidas quanto à estabilização da inflação ao redor da meta no médio prazo, ainda que ressaltemos o bom momento atual. “E é esse bom momento que leva o mercado, agora, a embutir nos preços um cenário base de corte de juros, iniciando na reunião de agosto, com -0,25 ponto porcentual (p.p.), incrementando o ritmo para -0,5 p.p. na reunião seguinte, alcançando patamar o redor de 9,5% a.a. ainda no final do primeiro semestre de 2024”, diz o analista do Itaú BBA.

Assim sendo, afirma Lucas Queiroz, analista do Itaú BBA, a continuidade do movimento nos juros aqui no Brasil teria que vir por meio de expectativas ainda mais arrojadas para as próximas reuniões do Banco Central, ou através de redução nos prêmios de risco.

“Vale lembrar, que a discussão nos Estados Unidos caminha nas últimas semanas para expectativa de manutenção ou leve aumento da taxa ainda este ano, cenário bastante distinto de um mês atrás, quando embutiam nas taxas futuras seguidos cortes de juros ao longo do segundo semestre deste ano”, escreveu o analista do Itaú BBA, Lucas Queiroz.

Small caps

Todos esses elementos são importantes, pois o recuo nas taxas de juros foi fator primário para o bom momento tanto diretamente na renda fixa quanto na renda variável e, reversões à frente podem comprometer ambos os mercados.

Do início de março até esta última quarta-feira (07/06), o IMA-B 5+, que representa títulos públicos IPCA+ com vencimentos superiores a 5 anos, obteve retorno de 12,46%.

Nesta linha, as ações de small caps (empresas de pequena capitalização), em geral mais sensíveis ao movimento nos juros, renderam 21,6%, ante alta de 10,64% do Ibovespa.

Fique ligado

A próxima semana terá novamente os Estados Unidos no radar dos investidores locais. A inflação ao consumidor na terça-feira (13/06) por lá e a decisão de taxa de juros na quarta-feira (14/06) serão os destaques da semana.

No Brasil, as vendas no varejo (14/06), a pesquisa mensal de serviços (15/05) e o IBC-Br (16/06) serão as principais divulgações.