Ministro critica privatização da Eletrobras (ELET3; ELET6): ‘Golden share não garante nada’

Alexandre Silveira diz que existe risco de a ex-estatal formar monopólio no setor elétrico

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, se colocou nesta quarta-feira como crítico do processo de privatização da Eletrobras (ELET3; ELET6). Para ele, existe o risco da empresa, agora privatizada, formar um monopólio no setor elétrico.

As ações – tanto as preferenciais e quanto as ordinárias – da companhia operavam em queda acima de 1% na sessão da B3.

Durante audiência pública na Câmara dos Deputados, Silveira disse que tem “duras críticas” ao processo de venda de controle da companhia. Citou, por exemplo, um dos instrumentos criados por lei para permitir que o governo limite os poderes do grupo controlador privado, a “golden share”. Trata-se da ação de classe especial que dá à União poder de veto em questões consideradas estratégicas.

“Acho que a golden share praticamente não garante absolutamente nada, é fraca. Não garante que o país tenha mão firme no setor em que a Eletrobras passe a ser, a passos largos, quase que um monopólio”, disse Silveira.

Segundo ele, a empresa se movimenta no mercado para ir além das participações de 50% no segmento de transmissão de energia e de 36% na geração de eletricidade.

O ministro afirmou que “há uma grande discussão no governo sobre a forma como foi feito o processo de privatização, e defendeu que esse “é um debate que precisa ser feito”. Silveira também disse que tem se ocupado com outros temas do setor, questão “muito mais imediata” relacionada ao equilíbrio da estrutura tarifária.

“O que estou podendo fazer como ministro de Minas e Energia é ter mão firme no plano de investimento dela”, ressaltou o ministro, ao se referir às preocupações com a Eletrobras privatizada durante audiência pública na Comissão de Minas e Energia da Câmara.