Bradesco: Inadimplência está concentrada em micro e pequenas empresas, diz Lazari

Lazari disse ainda que não vê qualquer reflexo da crise bancária dos EUA no Brasil. 'Não vemos nenhum risco de contaminação'

O presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Jr., disse na manhã desta sexta-feira (5) que a inadimplência do banco é bastante concentrada em micro e pequena empresas.

No caso da pessoa física, está relacionada principalmente a linhas específicas, como cartão de crédito para baixa renda, completou o executivo, durante a teleconferência de resultados do primeiro trimestre.

Diretor executivo do banco, Oswaldo Fernandes afirmou que a inadimplência de 15 a 90 dias teve certa estabilização em março e pode ter arrefecido em abril.

De acordo com Lazari, o guidance já trazia no seu bojo a expectativa de melhora do PIB. “O arcabouço fiscal teve aceitação boa, com reflexo no mercado”, acrescentou.

Ele comentou ainda o fato de que o DOC deixará de ser oferecido pelos bancos associados à Federação Brasileira de Bancos (Febraban) até 29 de fevereiro de 2024.

“Os clientes praticamente não têm usado DOC; TED deve ficar pra valores maiores.”

“Não vemos reflexo no Brasil da crise bancária nos EUA”

Lazari disse ainda que não vê qualquer reflexo da crise bancária dos EUA no Brasil. “Não vemos nenhum risco de contaminação”, disse a jornalistas.

Ele afirmou ainda entender que o Fed (banco central dos EUA) tomará as medidas necessárias para ajustar a situação.

De acordo com o executivo, o Bradesco Bank, o banco da instituição nos EUA, não tem “nenhum problema semelhante ao dos outros que quebraram”.

Lazari afirmou ainda que a tributação de ganhos de capital e rendimentos de brasileiros no exterior, prevista na Medida Provisória 1.171, “vai atingir todo mundo”. Apesar disso, a percepção é que investimentos lá fora continuarão.

‘Em até 60 dias teremos alternativas para apresentar ao governo sobre os juros dos cartões’

Sobre as discussões sobre mudanças no cartão de crédito que estão sendo feitas em conjunto pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Ministério da Fazenda e Banco Central, Lazari lembrou que o instrumento representa 40% do consumo das famílias e que pelo cartão passa 21% do PIB, mais do que nos EUA, onde esse percentual é de 18%.

“Precisamos encontrar alternativas viáveis. A cadeia do cartão tem muitos atores. Quase 75% do que é transacionado não tem juros, e temos o caso do parcelado sem juros. Esse risco não é remunerado e fica no colo dos bancos. É preciso encontrar uma solução adequada para todo mundo”, comentou.

O governo pressiona os bancos para encontrar uma forma de reduzir os juros no rotativo do cartão e no Congresso há propostas de estabelecer um teto para as taxas, mas o setor é fortemente contra essa possibilidade.

No mês passado, os bancos tiveram um encontro com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e foi combinado que será criado um grupo de trabalho para discutir o assunto.

Questionado sobre os prazos desse grupo de trabalho, Lazari disse acreditar que em 30, 60 dias ele deve entregar algumas alternativas para serem discutidas com o Banco Central e o governo.