Bradesco (BBDC4) anuncia hoje plano para tentar recuperar confiança do mercado

Plano estratégico liderado por Marcelo Noronha deve envolver mudanças em postos-chave e áreas administrativas para redução de custos e aumento de eficiência

O Bradesco (BBDC4) anuncia nesta quarta-feira (7) um plano estratégico para tentar reconquistar investidores, após anos de lucros cadentes. Mais cedo, nesta manhã, o Bradesco divulgou seu balanço mostrando que teve lucro líquido recorrente de R$ 2,878 bilhões no quarto trimestre de 2023, com queda de 37,7% ante o terceiro trimestre e alta de 80,4% na comparação com o mesmo período de 2022. No ano de 2023, o banco lucrou R$ 16,297 bilhões, recuo de 21,2% comparado a 2022.

Com o plano estratégico, em sua primeira apresentação pública de resultados como presidente-executivo, Marcelo Noronha, buscará delinear caminhos para levar o Bradesco de volta a níveis de lucro similares aos dos rivais Itaú Unibanco (ITUB4) e Banco do Brasil (BBAS3).

Isso, além da já anunciada proposta de fechamento de capital da Cielo (CIEL3), que deve ajudar o banco a se reposicionar no segmento de pequenas e médias empresas.

Essa resolução, revelada na noite de segunda-feira, teve reação positiva do mercado, com a ação do Bradesco subindo mais de 6%.

Inadimplência

Além da área de cartões, as mudanças podem envolver reformulação em negócios que historicamente são destaques do banco, como o crédito ao consumo.

Como resultado da escalada inflacionária pós-pandemia e da alta dos juros, que comprimiram a renda das famílias, os atrasos nos empréstimos dispararam, atingindo em cheio o Bradesco, que tem no financiamento ao consumo uma de suas principais atividades.

Consequentemente, o índice de inadimplência acima de 90 dias no banco quase triplicou desde o começo de 2020 até setembro passado, a 6,1%.

Isso sem contar calotes corporativos, como o da Americanas (AMER3), que pediu recuperação judicial em 2023, com dívidas de cerca de R$ 40 bilhões.

O Bradesco (BBDC4) é um dos maiores credores da varejista.

Diante disso, as perdas com provisões para calotes mais do que dobraram desde 2021, devendo ter se aproximado de R$ 40 bilhões no ano passado.

Em resumo, a lucratividade do banco medido pela rentabilidade sobre o patrimônio (ROE) rondava os 11% em 2023. Isso é praticamente metade dos níveis recentes de Itaú e BB.

O ROE mede quanto um banco remunera o capital de seus acionistas.

Bradesco (BBDC4): longa recuperação adiante

Não será um caminho rápido de recuperação, segundo analistas que avaliam as ações do banco.

Atualmente, de 11 casas de investimento que acompanham a ação, apenas 3 têm recomendação de compra, segundo o Wall Street Journal.

Uma das casas de análise que avaliam o papel, o BTG publicou recentemente um relatório considerando que o Bradesco enfrenta problemas cíclicos, mas também estruturais.

De fato, Thiago Paura e equipe, que assinam o relatório, preveem que o Bradesco levará alguns anos para melhorar sua lucratividade.

“O ROE do Bradesco provavelmente permanecerá abaixo do custo do capital próprio por algum tempo”, afirmou o relatório do BTG.

Diante disso, a ação preferencial do BBDC4 acumula queda de 64% nos últimos cinco anos.

Comparativamente, a ação do BB no período subiu 13,7%, enquanto ITUB4 teve baixa de 8,3%.

Já o Ibovespa evoluiu 35%.

Bancos digitais

A necessidade do Bradesco em reformular as operações de varejo ocorre num momento em que a crescente concorrência com bancos digitais têm levado as instituições estabelecidas a mudar o curso para seguirem competitivas nesse segmento.

Na semana passada, o presidente-executivo do Santander Brasil (SANB11), Mario Leão, revelou que o banco pretende usar mais canais digitais para atender o varejo.

Enquanto isso, o Itaú deve lançar até março um super app para atender todos os clientes de varejo do banco.