Bolsas da Europa fecham em queda com míssil atingindo a Polônia e inflação recorde no Reino Unido

Bolsas europeias operaram em queda com temor de avanço da guerra; Biden diz que é “improvável” que Moscou seja responsável por míssil

As bolsas europeias fecharam em queda nesta quarta-feira, repercutindo mais uma escalada nas tensões envolvendo a guerra na Ucrânia, após um míssil atingir o território polonês na tarde de ontem, em uma área próxima à fronteira do país com Kiev. Os investidores também acompanharam os dados da inflação no Reino Unido, que tiveram a maior alta desde outubro de 1981.

Após ajustes, o índice Stoxx Europe 600 fechou em queda de 0,99%, a 430,15 pontos.

O FTSE 100, índice de referência da bolsa de Londres, desceu 0,25%, a 7.351,19 pontos, o DAX, de Frankfurt, recuou 1,00%, a 14.234,03 pontos, e o CAC 40, de Paris, registrou retração de 0,52%, a 6.607,22 pontos.

Em Milão, o FTSE MIB fechou em queda de 0,68%, a 24.531,27 pontos, e o Ibex 35, de Madri, recuou 0,52%, a 6.607,22 pontos.

Entre os setores do Stoxx Europe 600, a principal queda ficou com o setor de automóveis e peças, que teve retração de 3,72%, enquanto o segmento de serviços financeiros teve a maior valorização, com alta de 0,11%.

Escalada na Ucrânia assusta bolsas europeias

Os investidores reagiram de forma negativa ao incidente envolvendo dois mísseis que caíram em uma cidade polonesa, próxima da fronteira com a Ucrânia, na tarde de ontem.

O episódio serviu para aumentar as tensões da guerra entre Moscou e Kiev, já que a Polônia faz parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Apesar disso, a Rússia negou a autoria dos ataques e Varsóvia sinalizou que possivelmente os projéteis podem ter sido disparados pelas forças ucranianas, de forma acidental.

Indicadores

No front dos dados publicados hoje no continente europeu, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) do Reino Unido aumentou 11,1% em relação ao ano anterior, uma taxa de inflação mais alta do que os 10,1% registrados em setembro e a maior desde outubro de 1981, informou o Escritório de Estatísticas Nacionais (ONS, na sigla em inglês) nesta quarta-feira.

O indicador também ficou acima do consenso projetado por economistas consultados pelo “The Wall Street Journal” de uma alta de 10,9%. Já o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) no Reino Unido avançou 14,8% em outubro, em base anual, contra um crescimento de 15,9% no mês de setembro.

Na leitura de Victoria Scholar, chefe de investimentos da Interactive Investor, as pressões inflacionárias continuam afetando o consumidor, já que o gás, a eletricidade e os alimentos, em particular, aumentam o custo de vida com o CPI superando as expectativas.

“O aumento do custo de itens essenciais significa que as famílias mais pobres estão sendo atingidas com mais força, com a diferença de inflação entre as famílias de alta e baixa renda atingindo o maior nível desde março de 2009”, apontou Scholar, em nota.

No mercado acionário europeu, o Sage Group, companhia britânica de software, registrou alta de 7,57% em suas ações após anunciar um aumento de 8% em seu lucro operacional anual.

Já a Mercedes-Benz, empresa alemã do setor de automóveis, teve queda de 5,51% em suas ações depois que a companhia cortou os preços de alguns de seus modelos de carros elétricos na China, citando mudanças na demanda do mercado.

Hoje o euro e a libra avançam ante o dólar, com a primeira moeda avançando 0,37%, a US$ 1,03970 enquanto a segunda subia 0,08%, a US$ 1,18878. Já o índice DXY, que mede o peso do dólar ante seis moedas de mercados desenvolvido, operava com perdas de 0,07%, a 106,332 pontos.