Bolsas dos EUA fecham em queda após comentários do Fed, mas encerram semana em alta

Além disso, investidores leram a queda de 1% nas vendas do varejo americano em março como um sinal de recessão no horizonte

As bolsas de Nova York encerraram o pregão desta sexta-feira (14) em queda após indicadores de atividade e expectativas inflacionárias reforçarem o argumento de que o Federal Reserve (Fed) seguirá agressivo em sua política monetária no futuro próximo.

Comentários de dirigentes do BC americano confirmaram tal percepção e pesaram sobre os índices acionários, que mesmo assim fecharam a semana com ganhos.

Índices das bolsas de Nova York

O índice Dow Jones teve queda de 0,42%, a 33.886,470 pontos.

O S&P 500 recuou 0,21%, a 4.137,64 pontos.

O Nasdaq cedeu 0,35%, a 12.123,46 pontos.

Na semana, contudo, os índices acumularam altas de 1,20%, 0,79% e 0,29%, respectivamente.

Morgan e Citi disparam

Entre os poucos destaques de hoje, ações de grandes bancos avançaram em ritmo forte na maioria, após J.P. Morgan Chase (+7,55%), Citigroup (+4,78%) e Wells Fargo (-0,05%) divulgarem seus balanços do primeiro trimestre.

O índice específico do setor financeiro do S&P 500 terminou o dia em alta de 1,05%, a 547,01 pontos. Os resultados trouxeram certo alívio, com a percepção de que a recente crise bancária ainda não afetou o setor financeiro de forma mais ampla.

Queda no varejo

Mais cedo, investidores leram a queda de 1% nas vendas do varejo americano em março como um sinal de que a economia dos EUA pode entrar em recessão este ano. O aumento de 0,4% da produção industrial no mesmo mês amenizou os temores acerca da desaceleração da atividade.

O dado do varejo, contudo, voltou ao foco sob a análise de que o grupo de controle do indicador – que mede melhor o padrão do consumo nos EUA – caiu apenas 0,3%, menos que o esperado, o que sugere resiliência da economia e, portanto, mais aperto monetário do Fed à frente.

Comentários do Fed geram apreensão

Comentários de dirigentes da instituição elevaram ainda mais a cautela nos mercados ao longo do dia. Entre eles, o diretor e membro com direito fixo a voto nas reuniões do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), Christopher Waller, afirmou que a crise bancária não provocou um aperto das condições financeiras significativo, e portanto mais altas de juros serão necessárias.

Já Raphael Bostic, do Fed de Atlanta, defendeu subir os juros à faixa de 5% a 5,25% e mantê-los ao menos até o fim do ano, em entrevista à Reuters.

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“A estabilização dos depósitos no sistema bancário americano continua reduzindo o temor de agravamento da crise e o foco voltou para a economia”, ponderam analistas da Blueline Asset Management.

“Com isso, os gestores de política monetária se sentiram mais confortáveis em voltar a se concentrar na missão principal de desinflar uma economia já em desaceleração, mas ainda apresentando inflação resiliente”, completam.

Projeções para a inflação pioram

O sentimento piorou ainda mais após as expectativas de inflação para o período de 12 meses, medidas pela Universidade de Michigan, saltarem de 3,6% em março para 4,6% na leitura preliminar de abril. A expectativa para cinco anos, por outro lado, manteve-se estável em 2,9%.