Ambev fecha em queda de 3,5% com rumores sobre rombo bilionário

Ações da companhia têm comportamento errático desde que o escândalo contábil da Americanas veio a público

As ações da Ambev (ABEV3) apresentam queda firme hoje (1), refletindo rumores veiculados pelo site da Veja sobre um possível rombo bilionário no balanço da empresa. A afirmação veiculada pela Veja é da Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil), que representa produtores menores do que a Ambev.

No fechamento, as ações da empresa caíram 3,51%, para R$ 3,18, recuperando parte das perdas do auge da desvalorização, registrado no meio da tarde, quando as ações caíam mais de 4%, para perto dos R$ 13,05.

Segundo a CervBrasil, enquanto o caso das Americanas envolve uma dívida bilionária com bancos, no caso da Ambev a dívida seria com impostos federais, estaduais e municipais, diz o dirigente da associação. Um estudo contratado pela CervBrasil aponta um rombo estimado em 30 bilhões de reais em manobras tributárias feitas por empresas de bebidas.

As ações têm comportamento errático desde que o escândalo contábil da Americanas veio a público, na medida em que as companhias são lideradas pelos mesmos acionistas de referência, o grupo 3G.

“O mercado não comprou a tese, mas está realizando que as empresas do grupo ficarão no foco à frente”, diz um gestor ao Valor PRO.

Resposta da Ambev sobre acusação da CervBrasil

A Ambev se manifestou sobre as acusações da CervBrasil a respeito de obrigações tributárias supostamente não cumpridas pela empresa, reveladas pelo Radar Econômico. A cervejaria afirma que “as acusações da CervBrasil não têm qualquer embasamento”, diz em nota.

“Calculamos todos os nossos créditos tributários estritamente com base na lei. Nossas demonstrações financeiras cumprem com todas as regras regulatórias e contábeis, as quais incluem a transparência do contencioso tributário. A Ambev está entre as 5 maiores pagadores de impostos no Brasil”, diz a nota.

Estilo de gestão da 3G

Os analistas do Citi liderados por Sérgio Matsumoto escrevem que a participação dos empresários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, que também têm participação de referência na Americanas, é menor na Ambev e na AB InBev.

“Uma maior presença de outros acionistas relevantes (Interbrew, SABMiller e Grupo Modelo) reduz o estilo de gestão da 3G, que busca metas agressivas e usa remuneração como incentivo para as alcançar”, ponderam.

Eles apontam que o acordo de acionistas atual da Ambev tem vigência até 2034, o que torna bastante improvável uma venda dos ativos por parte da 3G para tentar sustentar as operações da Americanas.

Mercado favorável à Ambev

Operacionalmente, a Ambev também passa por um momento competitivo relativamente favorável, sendo a única empresa no portfólio da 3G em posição de liderança no seu mercado e com crescimento, reduzindo riscos.

O que recomendam os analistas

O Citi tem recomendação de compra para Ambev, com preço-alvo em R$ 18,50, potencial de alta de 35,4% sobre o fechamento de ontem (31).

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