Compra da C&A? Renner diz ao Itaú que não planeja aquisições e espera recuperação gradual

Banco teve reunião com o presidente da varejista, Fábio Faccio, e o diretor financeiro, Daniel Santos, depois dos rumores sobre compra da C&A

A administração da Lojas Renner espera uma recuperação gradual tanto para as divisões de varejo quanto para serviços financeiros em 2023, apesar do cenário macroeconômico ainda incerto. As afirmações são do Itaú BBA após reunião coletiva com o diretor-presidente da varejista, Fábio Faccio, e o diretor financeiro, Daniel Santos. Eles também sinalizaram que novas aquisições não estão no foco agora.

De acordo com os analistas Thiago Macruz, Maria Infantozzi e Gabriela Moraes, no longo prazo, a ênfase da Renner estará em sua estratégia de crescimento orgânico, como abertura de lojas físicas e ganho de produtividade decorrentes de ter mais clientes omnicanal.

Ações

O Itaú BBA tem recomendação de compra e preço-alvo de R$ 27 por ação para a Renner (LREN3), o que representa um potencial de alta de 29% ante o valor atual.

Vendas melhoraram

Para a administração da empresa, a dinâmica deve continuar desafiadora em 2023, mas as vendas na divisão de varejo têm melhorado sequencialmente desde o final da Copa do Mundo e até agora estão em linha com as expectativas para janeiro deste ano.

“Essa tendência positiva apoia a visão cautelosamente otimista da administração sobre as perspectivas de receita para o ano”, comentam os analistas.

Recuperação no segundo semestre

Por outro lado, a administração também espera uma recuperação gradual ao longo do segundo semestre, à medida que a empresa colhe os frutos de sua mudança de estratégia já implementada em um ambiente de crédito potencialmente mais benigno.

Compra da C&A no radar?

O crescimento inorgânico, que acontece quando a empresa adquire outros competidores, continua como uma alternativa da empresa, mas não está atualmente na agenda, segundo os analistas. Na semana passada, foi ventilada a possibilidade de a Renner adquirir C&A, uma de suas maiores concorrente, algo que foi refutado pelos executivos das duas empresas.

“A administração reconhece a escala potencial e os ganhos de sinergia que podem surgir de uma fusão ou aquisição de um concorrente, mas eles observaram que os ativos atualmente disponíveis não parecem atraentes”, diz o texto.

Fusão pode desviar o foco, dizem os analistas

De acordo com eles, a administração afirma que uma fusão transformacional adiciona complexidade e risco de execução à operação e pode até distrair a empresa das muitas oportunidades que estão buscando dentro do atual ecossistema da Renner, que é visto com muitas oportunidades por enquanto.

A administração reconhece também que o ambiente competitivo no segmento de serviços financeiros é diferente do que era, com vários novos participantes no setor. Apesar da dinâmica descendente ainda incerta no curto prazo, a administração disse estar engajada em iniciativas importantes para aumentar a produtividade das lojas e obter ganhos de eficiência na divisão Varejo.