Natureza da Taesa (TAEE4; TAEE3) é pagar dividendos, diz diretor após resultados; ações caem

Segundo o executivo, a companhia pagou R$ 2 bilhões em dividendos nos últimos 15 meses

A Taesa é uma companhia que tem como natureza ser pagadora de dividendos, disse o diretor financeiro da empresa, Leonardo Bonorino.

Segundo o executivo, a companhia pagou R$ 2 bilhões em dividendos nos últimos 15 meses.

Questionado sobre futuras distribuições aos acionistas, ele lembrou que a companhia tem no estatuto social a regra de pagar no mínimo 50% do lucro líquido em dividendos.

“A companhia sempre vai olhar o tripé: dividendos, investimentos em novos negócios e alavancagem”, disse ao explicar como é definido o pagamento aos acionistas.

Ações

Por volta das 14h25, as ações da empresa registravam queda de 3,20% para as ordinárias (TAEE3) e de 2,66% para as preferenciais (TAEE4), cotadas a R$ 12,09 e R$ 12,07, respectivamente.

Nos últimos 12 meses, as ações subiram acima de 1%.

Energias eólica e solar não são prioridade

A Taesa não tem perspectiva de investir em geração de energia eólica ou solar, disse o presidente da companhia, André Moreira.

“Avaliamos, sim, eventualmente alguma entrada em serviços de conexão com linhas de distribuição, mas não geração”, disse o executivo em teleconferência com analistas na manhã de hoje (16).

Segundo o executivo, a companhia está avaliando possíveis parcerias para participar do próximo leilão de linhas de transmissão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). “Mas ainda não temos uma conclusão”, ressalvou.

No momento, acrescentou Moreira, a Taesa está avaliando todos os nove lotes que serão ofertados. O certame está previsto para junho e deve resultar em investimentos de R$ 16 milhões.

BTG: Taesa trouxe 4º tri forte

A Taesa reportou fortes resultados regulatórios no quarto trimestre de 2022, avalia o BTG Pactual em relatório. O banco destaca que o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) atingiu R$ 465 milhões, 4% acima do previsto pelo banco e do reportado pela companhia no ano anterior.

O resultado se deve a reajustes da Receita Anual Permitida (RAP), energização de novas linhas de transmissão e redução de custos, com queda de 10% em base anual nas despesas com pessoal, material, serviços e outros (PMSO).

“Apesar do resultado de equivalência patrimonial abaixo do esperado de R$ 78 milhões e das despesas financeiras líquidas acima do estimado, a utilização de créditos tributários elevou o lucro líquido para R$ 387 milhões, 26% acima das nossas projeções”, comentam os analistas João Pimental, Gisele Gushiken e Maria Resede.

Por outro lado, os analistas dizem que a deflação e as margens de construção mais baixas impactaram negativamente os resultados do IFRS novamente. Eles destacam ainda que a Taesa conta com seis linhas de transmissão em seu gasoduto, totalizando R$ 924 milhões em RAP proporcional.

“As linhas Ivaí e Sant’Ana estão quase concluídas (99% e 93%, respectivamente), enquanto a Ananaí está em 7%. Já o contrato de concessão de Pitiguari, com leilão em junho de 2022, foi assinado em setembro, e os contratos de Tangará e Saíra, vencidos no último leilão, estão previstos para o final do mês”, observam.

O BTG Pactual mantém a recomendação de venda para as units da Taesa, com preço-alvo de 12 meses fixado em R$ 35. O valor está em linha com a cotação atual dos ativos, há pouco negociados a R$ 35,95.

XP: destaque para a desalavancagem

O balanço da Taesa no quarto trimestre veio em linha com as expectativas da XP, com destaque para a desalavancagem contínua da companhia, que passou de 4,2 vezes dívida líquida sobre Ebitda um ano antes, para 3,7 vezes no final de dezembro. Ainda assim, o banco não observa nenhum gatilho de crescimento de curto prazo na empresa.

A indicação sobre as ações da Taesa permanece neutra, com um preço-alvo de R$ 37, uma valorização potencial de 2% sobre o preço atual dos papéis.

O aumento de 2,2 pontos percentuais na margem Ebitda no trimestre reflete a correção monetária do ciclo 2022-2023 da RAP e o início das operações de Janaúba, Sant’Ana, explica a XP.

O banco também destaca que a correção do RAP junto com as menores despesas financeiras em Ivaí e a entrada em operação de Este, Aimorés e Paraguaçu impulsionaram o crescimento em 199% no ano do resultado de equivalência patrimonial da empresa.

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