Ações da Oncoclínicas (ONCO3) fecham com mais de 16% de valorização após resultado acima das expectativas

Confira as projeções e recomendações dos bancos para as ações da Oncoclínicas (ONCO3)

As ações da Oncoclínicas (ONCO3) fecharam o pregão com alta de 16,27% cotadas a R$ 7,86 após divulgação do balanço, cujos resultados vieram acima do esperado. Os papéis chegaram à máxima de R$ 7,95 no início da tarde.

Nos últimos 12 meses, porém, a empresa de tratamentos oncológicos apresenta resultado negativo na bolsa, tendo perdido quase 28% do valor das suas ações, acompanhando o resultado ruim do setor de saúde.

Projeções e recomendações

O Santander mantém a recomendação de compra para as ações da Oncoclínicas, com preço-alvo de R$ 10,75. O valor representa um potencial de alta de 39,8% em relação à cotação atual. Por volta das 12h45, as ações saltavam 14%, cotadas a R$ 7,70.

O Goldman Sachs tem recomendação de compra para Oncoclínicas, com preço-alvo em R$ 13. Há pouco, as ações subiam 11,5%, cotadas em R$ 7,54.

O Citi tem recomendação de compra para Oncoclinicas, com preço-alvo em R$ 11, potencial de alta de 62,7% sobre o fechamento de ontem.

Santander: destaque para margem bruta

A Oncoclínicas apresentou resultados fortes no quarto trimestre de 2022, avalia o Santander em relatório. O banco acredita que a empresa está operando com uma margem sustentadamente mais alta devido a escala, mix e diluição de gastos gerais e administrativos.

A margem bruta expandiu 2,1 pontos em base anual e a diluição de gastos gerais e administrativos impulsionou ainda mais a margem Ebitda que expandiu 4,6 pontos em relação ao reportado no ano anterior.

“O resultado foi afetado por um imposto positivo e acreditamos que o projeto de normalização tributária está avançando. O único ponto negativo foi na frente de recebíveis, que voltou a ser pressionada pelas operadoras de saúde e mix em Centros de Câncer”, comentam os analistas Caio Moscardini e Guilherme Gripp.

Goldman Sachs: boas tendências operacionais

A Oncoclínicas mostrou resultados resilientes no quarto trimestre, em linha com as expectativas, continuando a apresentar tendências operacionais positivas, diz o Goldman Sachs.

Os analistas Gustavo Miele e Emerson Vieira escrevem que a companhia apresentou expansão orgânica robusta nos volumes, além de aumento nos tíquetes médios, impulsionando margens.

A companhia apresentou despesas financeiras acima do esperado, mas a melhor alavancagem operacional acabou mitigando esses fatores, deixando o lucro líquido além das projeções.

Citi: resiliência do segmento de oncologia

Os resultados da Oncoclinicas no quarto trimestre foram robustos, superando expectativas, mostrando o caráter resiliente do segmento de oncologia e a boa execução de negócios da companhia, diz o Citi.

Os analistas Leandro Bastos e Renan Prata escrevem que a companhia está conseguindo retirar sinergias de aquisições recentes e reduzir efeitos de itens não recorrentes no seu balanço, ajudando a aumentar o lucro.

O banco destaca que as receitas da Oncoclinicas superaram estimativas em 2%, assim como as margens e o lucro líquido para o período, mesmo quando retirados os efeitos não recorrentes.

“O maior ciclo de recebíveis e uma alavancagem acima do esperado são itens para se ficar atento em 2023, mas com múltiplos de 11,2 vezes o preço-lucro de 2024 e melhora na visibilidade dos lucros, as perspectivas das ações são positivas”, comentam.

Oncoclínicas: redução de alavancagem para 2023

A Oncoclínicas espera uma redução da alavancagem em 2023, tendência que já foi refletida nos resultados do quarto trimestre de 2022, de acordo com o diretor financeiro Cristiano Camargo.

O índice de alavancagem da Oncoclínicas em 2022, medido pela razão entre a dívida líquida e o Ebitda ajustado anualizado, foi de 2,7 vezes. De acordo com o diretor financeiro, este é um patamar considerado “saudável” pela administração, considerando as recentes aquisições. No terceiro trimestre do ano passado, o índice de alavancagem era de 3,2 vezes.

O executivo, que participa de teleconferência sobre os resultados nesta quarta-feira, também destacou o menor impacto de ajustes no Ebitda da companhia. O Ebitda do quarto trimestre de 2022 somou R$ 238,5 milhões, enquanto o Ebitda ajustado foi de R$ 253,1 milhões. Desta forma, o percentual de ajustes foi equivalente a 5,8% do indicador. No quarto trimestre de 2021, o percentual era de 20,6%, com Ebitda de R$ 111,1 milhões e Ebitda ajustado de R$ 141,3 milhões.

“Esses são resultados muito encorajadores porque indicam que as integrações caminham na direção certa”, afirmou o diretor financeiro da companhia.

O diretor-presidente da Oncoclínicas, Bruno Ferrari, afirma ainda que a margem bruta de 37,2% do último trimestre, atingiu um patamar “sem precedentes” e com ganho de 0,26 ponto percentual ante o quarto trimestre de 2021, foi beneficiado pela maior eficiência em suprimentos, sinergia de aquisições e maior participação dos chamados câncer centers no mix de receitas.

Estes estabelecimentos representam hoje 14% do mix de receitas da Oncoclínicas, enquanto “o usual é pelo menos o dobro disso”, na visão de Cristiano Camargo.

Aquisições de operações ambulatoriais no radar

A empresa pretende executar neste ano a mesma estratégia de fusões e aquisições de 2022, observando o mercado de prestadores de serviços ambulatoriais, de acordo com a diretoria da companhia. A Oncoclínicas promoveu há pouco teleconferência de resultados do quarto trimestre de 2022.

De acordo com o diretor financeiro da companhia, Cristiano Camargo, não foi registrado aumento relevante no patamar das chamadas glosas, indicador de não-pagamento de procedimentos por parte dos planos de saúde. O indicador estável refletiria fatores como o caráter ambulatorial dos procedimentos, com menor complexidade e menores custos.

O prazo médio de pagamento por parte dos provedores, no entanto, foi de 94 dias no quarto trimestre de 2022. No terceiro trimestre do ano passado, o prazo era de 85 dias. A diretoria da Oncoclínicas aponta ainda que os planos de saúde “ainda estão pressionados” em relação aos índices de sinistralidade, ou seja, com alta frequência de utilização por parte da carteira de clientes.

A expectativa para 2023, na visão da Oncoclínicas, é de que haja um “crescimento robusto” de novos pacientes nos estabelecimentos da rede.

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